As ruas que circundam o Estádio do Dragão já não respirava, pulsavam. Havia uma eletricidade coletiva, um formigueiro que percorria o país de lés a lés, das sedes portistas à alma de quem sentia que o jejum de três épocas estava prestes a findar. Depois de um ciclo de quatro anos de espera desde a última conquista em 2022, o destino parecia ter-se alinhado: os deslizes do Sporting frente aos últimos da tabela e o recente nulo do Benfica em Famalicão serviram o título de bandeja. Ao FC Porto bastava um único ponto.

Foto: Paula Lopes



A era de André Villas-Boas, agora nos palcos da presidência, encontrou no relvado o “efeito Farioli”. O técnico italiano devolveu ao clube uma mística que parecia adormecida, e o início da partida contra o Alverca foi o espelho dessa confiança. O Dragão mandava. Pressionava alto, asfixiava a saída de bola ribatejana e rondava a baliza de Matheus Mendes com a fome de quem não queria apenas o empate matemático, mas a glória absoluta.

Aos 24 minutos, o grito de golo ficou preso na garganta quando Froholdt acertou no poste e, na recarga, viu o lance ser anulado por mão na bola. O susto despertou o Alverca, que respondeu com investidas perigosas, testando os reflexos de Diogo Costa. Contudo, o destino estava traçado. Aos 40 minutos, Gabri Veiga cobrou um canto com conta, peso e medida para a cabeça impiedosa de Bednarek. As redes balançaram, o estádio incendiou-se e o intervalo chegou com o aroma inconfundível de campeonato.

A segunda metade, porém, trouxe um guião diferente. O Alverca transfigurou-se, assumindo o risco e a criatividade que lhe faltaram inicialmente. Os visitantes dominaram, encurralaram o Porto e, já nos descontos, estiveram a milímetros do empate, evitado apenas por um corte providencial de Alberto Costa sobre a linha. Foi o sofrimento típico dos campeões.

Ao soar do apito final, a tensão deu lugar à catarse. Com um ritmo mais baixo do que o habitual, mas com a resiliência necessária, o FC Porto segurou a vantagem. O veredicto estava dado: 31 títulos de campeão nacional. A duas jornadas do fim, a cidade Invicta volta a vestir o seu fato de gala azul e branco, celebrando o primeiro grande troféu de uma nova era.

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