Há empates com sabor a glória eterna, e o que Cabo Verde arrancou em Atlanta perante a toda-poderosa Espanha é o mais recente monumento ao futebol romântico. Na estreia absoluta num Campeonato do Mundo, a modesta seleção africana segurou um nulo histórico diante da atual campeã europeia e principal candidata ao título mundial, gerando uma onda de festa nacional que promete durar dias.

Luis de la Fuente tentou gerir o tabuleiro mas a verdade é que a La Roja esbarrou num autêntico muro intransponível. A estratégia espanhola traduziu-se num monopólio de posse de bola estéril perante uns organizadíssimos Tubarões Azuis, que contaram com uma espinha dorsal bem conhecida do futebol português: tinha a titulares Vozinha (guarda redes do Chaves), Sidney Cabral (Benfica), Jovane Cabral (Estrela da Amadora) e Dailon Livramento (Casa Pia). Telmo Arcanjo jogador do Vitória SC também entrou em campo já na segunda parte. No banco ainda estavam mais jogadores que atuam em Portugal como Yannick Semedo (Farense) e Stopira (Torreense).
O grande herói da epopeia acabou por ser Vozinha. O veterano guardião do Chaves, aos 39 anos, assinou a exibição da sua vida, frustrando consecutivamente os remates de Pedri, Ferran Torres, Oyarzabal e Laporte, com direito a uma bola ao poste pelo meio. Nem a irreverência tardia de Nico Williams ou Lamine Yamal beliscou a muralha comandada pelo central Pico Lopes. Na reta final, Borges quase operava o milagre completo num cabeceamento travado por Unai Simón.
A Espanha revive os fantasmas de estreias passadas e Cabo Verde celebra o ponto mais alto da sua história.





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