O deserto do silêncio imposto às mulheres afegãs acaba de ser interrompido pelo apito oficial da FIFA. Numa decisão histórica tomada em Vancouver, a federação internacional quebrou as próprias correntes burocráticas para permitir que a seleção feminina do Afeganistão , composta por atletas refugiadas espalhadas pelo mundo, volte a competir com plenos direitos e sob a bandeira da sua identidade.

Foto: FIFA



Desde 2021, com a ascensão dos talibãs ao poder, o desporto feminino foi varrido do mapa afegão, deixando as jogadoras num limbo jurídico, a FIFA exigia o aval de uma federação nacional que, por imposição ideológica, deixou de as reconhecer. Agora, a regra mudou. Sob o princípio da universalidade, o Conselho da FIFA criou uma exceção que permite o registo de seleções em contextos humanitários extremos, garantindo que o talento não morre no exílio.

Gianni Infantino descreveu a medida como um dever de proteção à identidade destas mulheres, mas foram as vozes de quem sentiu na pele a repressão que deram o tom à vitória. Khalida Popal, eterna capitã, e Nadia Nadim sublinharam que este passo transforma vítimas em atletas de elite, devolvendo-lhes a dignidade que lhes tentaram roubar.

A equipa, sob o nome de Afghan Women United, já tem data marcada para calçar as chuteiras. Entre 1 e 9 de junho, a Nova Zelândia será o palco dos treinos e de um amigável contra as Ilhas Cook. Mais do que um jogo, será a voz de uma nação que teima em não se deixar apagar.

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