Há um ano, o Estádio Nacional tingia-se de azul e grená para ver as mulheres do Torreense erguerem a Taça de Portugal ao céu. Hoje, o eco desse triunfo ainda ressoa em Torres Vedras, servindo de inspiração para que o plantel masculino carimbe agora o seu próprio passaporte para o misticismo do Jamor. Pela primeira vez desde a longínqua final de 1956 contra o FC Porto, o clube do Oeste volta a marcar encontro com a História no palco principal do futebol luso.

Foto: SCU Torreense via Instagram



A turma de Luís Tralhão não chegou aqui por acaso. Atualmente no pódio da Segunda Liga e com os olhos postos na subida ao escalão principal, o Torreense foi desbravando caminho com autoridade. Pelo trilho ficaram o Correlhã, a Oliveirense, o Lusitânia e o Leiria. Contudo, o verdadeiro sinal de aviso foi dado nos oitavos de final, quando o Casa Pia, da Primeira Liga, tombou perante a estratégia da equipa azulgrena

Após um empate a uma bola na primeira mão onde Manuel Pozo anulou a vantagem inicial de João Oliveira, todas as decisões ficaram guardadas para o duelo final. Num jogo de nervos à flor da pele, o grito de libertação só chegou aos 84 minutos, pelos pés de David Bruno. Já em tempo de compensação profunda (90+13′), Stopira selou o destino da eliminatória através de uma grande penalidade, fixando o agregado em 3-1.

Apesar da festa, o travo amargo veio de fora das quatro linhas. Num país que se diz apaixonado pela “prova rainha”, é incompreensível que este embate ,um exemplo de competitividade entre equipas fora da elite tenha sido relegado para o esquecimento televisivo em canal aberto. Enquanto o clássico entre Porto e Sporting goza dos holofotes, o Torreense e o Fafe mostraram que o futebol português é muito mais do que os suspeitos do costume

70 anos depois da última final masculina e um ano após o triunfo feminino, o Torreense está de volta. O Jamor já não é um sonho, é o próximo destino.

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