As bancadas do Estádio do Dragão pulsavam com a eletricidade típica das grandes noites de gala, onde o destino do Jamor se decidia entre dois gigantes. O Sporting, impulsionado pela vantagem mínima trazida de Alvalade cortesia de um golo de Luis Suárez na primeira mão , apresentou-se em solo nortenho com a missão de gerir o ímpeto de um FC Porto faminto pela reviravolta.

O xadrez tático de Rui Borges sofreu, contudo, um revés precoce e severo. Logo aos dez minutos, Gonçalo Inácio sucumbiu a uma mazela física resultante de um embate anterior com William Gomes, obrigando à entrada prematura de Debast. Apesar da contrariedade, os leões procuravam saídas curtas e rendilhadas, esbarrando quase sempre na pressão asfixiante e no bloco defensivo compacto montado pelos azuis e brancos, que negavam qualquer espaço nas imediações de Diogo Costa.
O FC Porto, embora mais acutilante, pecava na definição. Pablo Rosario chegou a fazer o estádio suster a respiração com um remate colocado que passou a centímetros do travessão, num final de primeira parte onde os dragões já assumiam as rédeas do jogo, explorando a fadiga e o recuo estratégico do Sporting.
A segunda metade acentuou o monólogo portista. Victor Froholdt dispôs de duas ocasiões soberanas, mas ora a atenção de Rui Silva, ora um ligeiro atraso no ataque à bola, impediram o empate na eliminatória. A pressão tornou-se absoluta: ataques pelos corredores, bolas na profundidade e remates de meia-distância bombardeavam a muralha verde e branca. Fofana, com um disparo em arco aos 83 minutos, voltou a ameaçar o que parecia inevitável, mas a eficácia teimava em não comparecer.
O drama intensificou-se perto do minuto 90, quando Alan Varela viu o cartão vermelho direto após uma entrada impetuosa sobre Luis Suárez, deixando os dragões em inferioridade numérica. Ainda assim, o orgulho ferido dos visitados empurrou-os para um assalto final heróico. Já nos descontos, num canto agónico, o golo esteve à distância de milímetros, valendo novamente a segurança de Rui Silva e a falta de pontaria na recarga.
Com o nulo no apito final, o Sporting carimbou o passaporte para a final da Taça de Portugal, mantendo vivo o sonho da revalidação do título. Para a história fica a resiliência leonina e a ovação de pé dos adeptos portistas, que, apesar da eliminação, reconheceram o esforço de uma equipa que deu tudo em campo e que agora vira todas as agulhas para a luta pelo campeonato.





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