Há noites em que a história do futebol não se escreve com golos espetaculares, mas sim com luvas calçadas de puro reflexo e frieza. Esta quarta-feira, as meias-finais da Taça das Nações Africanas transformaram-se no palco de uma consagração anunciada.

Michaely Bihina voltou a vestir a capa de heroína nacional e empurrou a seleção dos Camarões para o jogo decisivo do torneio, deixando Marrocos pelo caminho num desfecho dramático.
Apesar do domínio marroquino ao longo do encontro, superior no controlo da posse de bola e nas dinâmicas ofensivas , a eficácia defensiva camaronesa resistiu a todas as investidas.
O clímax do sofrimento chegou a escassos dois minutos do fim do prolongamento, aos 118’, quando uma grande penalidade a favor das marroquinas parecia ditar a sentença da partida. No entanto, na hora de todas as decisões, a guardiã do Benfica negou o golo a Fatima Tagnaout atirando a decisão para o desempate por grandes penalidades.
Ali, na marca dos onze metros, a jovem guarda-redes de 22 anos, já bem conhecida dos relvados portugueses, onde conquistou o galardão de melhor guarda-redes na época 23/24, voltou a erguer um muro intransponível. Mesmo depois de ter sofrido o primeiro remate, Bihina travou com mestria as cobranças de Kenza Chapelle, Maryame Atiq e Sakia Ouzraoui. Do lado camaronês, as conversões certeiras de Marie Ngah, Rose Bella e Myriam Nyadjou carimbaram o triunfo, compensando o desvio de Grace Mendoua.
Com quatro grandes penalidades travadas no mesmo encontro e mais um prémio de MVP no bolso, repetindo a proeza conseguida diante da Nigéria , a guarda-redes camaronesa é hoje a figura incontestável de um continente rendido ao seu talento.
Os Camarões medem agora forças com o Malawi, que derrotou a Argélia por 1-3, já este domingo, numa final que promete paralisar o futebol africano.






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