Choveu coragem e suor no relvado esta tarde, onde o Torreense escreveu uma página dourada, mas agridoce, na sua história europeia. No batismo absoluto na Liga dos Campeões, fruto de um inédito terceiro lugar na Liga BPI a turma de Torres Vedras mediu forças com colossos como a Juventus.

Sob o comando de Gonçalo Nunes, e apesar de uma profunda remodelação no plantel com saídas pesadas e caras novas, as valentes azuis-grená entraram em campo sem complexos perante a Vecchia Signora, que alinhava com as portuguesas Tatiana Pinto e Ana Capeta.
A primeira parte foi um hino ao rigor táctico. Com as linhas bem cortadas e um respeito mútuo evidente, o Torreense anulou os dinamos italianos e espreitou o golo. Barbara Latorre, aos vinte minutos, esteve perto de inaugurar o marcador após uma rápida transição, valendo um corte providencial de Martina Rosucci.
Pouco depois, foi Margarida Guerreiro quem, na área, atirou por cima. Do outro lado, a Juventus ameaçava timidamente por Annamaria Serturini e Ana Capeta, mas o nulo persistia ao intervalo, premiando a irrepreensível organização defensiva das forasteiras.
Contudo, a mítica mística europeia cobrou a sua fatura logo no reatamento. Nem trinta segundos decorridos e a espanhola Estela Carbonell desferiu um remate certeiro que gelou a armada portuguesa. O golo madrugador injetou uma dose maciça de eletricidade nas italianas, que assumiram as rédeas. O Torreense sentiu o golpe, mas nunca baixou os braços. Maile Hayes empurrava a equipa para a frente, e os lances de perigo multiplicaram-se junto à baliza de Danielle de Jong.

Aos sessenta e sete minutos, a desilusão adensou-se quando Ana Capeta apareceu oportuna na área a encostar para o segundo, após cruzamento cirúrgico de Serturini.
Ainda assim, a réveillon do Oeste recusou curvar-se. Rute Costa segurou a equipa lá atrás, enquanto no ataque a guardiã holandesa da Juventus voava para evitar um golo certo, logo antes de Bruna Ramos estilhaçar o esférico no poste com um tiro monumental de meia distância. A insistência foi finalmente premiada já em cima dos noventa: a recém-entrada Jennie Lakip faturou de cabeça, reabrindo a esperança.
O Torreense tombou com a honra dos eleitos, lutando olhos nos olhos e impondo-se a uma constelação como a Juventus, emblema que chegou aos oitavos de final da última edição da Liga dos Campeões e que bem sentiu o sufoco de uma equipa portuguesa a jogar para merecer, pelo menos, o prolongamento.
Apesar do desaire, ficam exibições de alma inteira, a coragem de quem nunca tremeu perante o colosso italiano e a certeza de que a bravura, a ambição e o talento do Oeste deixaram marca profunda na Europa, caem da Champions, mas com o orgulho intacto e a mira apontada à Europa Cup.






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