O futebol tem estas estranhas voltas do destino, capazes de transformar um trauma antigo num momento de absoluta catarse. San Francisco foi o palco onde Julen Lopetegui encontrou finalmente a redenção num banco de suplentes de um Mundial.

Aos 59 anos, o técnico basco viveu uma noite de glória improvável ao comando do Qatar, que, pela primeira vez na sua história, pontuou na maior prova do planeta apagando finalmente a memória da frustrante prestação de 2022, onde, a jogar em casa, a seleção qatari terminou a prova sem somar um único ponto.
O guião parecia escrito para um desfecho previsível. A Suíça, equipa rodada nos campeonatos europeus e tecnicamente superior, assumiu as rédeas desde o apito inicial, acumulando uma posse de bola asfixiante. A muralha qatari, composta quase na totalidade por jogadores que atuam no mercado interno, resistiu como pôde, com Mahmoud Abunada a assumir o papel de herói improvável. O guardião do Al Rayyan foi um verdadeiro pesadelo para a ofensiva helvética, negando golos.
Ainda assim, a resistência cedeu momentaneamente na marca dos onze metros, quando um erro de Abunada permitiu a Embolo abrir o ativo.
O que se seguiu foi uma lição de resiliência. Enquanto a Suíça geria o resultado e perdoava a displicência no ataque, o Qatar acreditava na margem mínima. Já nos descontos, quando a derrota parecia sentenciada, a magia aconteceu. Homam El-Amin desenhou um cruzamento milimétrico que encontrou a cabeça de Boualem Khoukhi. O central saltou mais alto que a defesa suíça e gelou o estádio ao encostar para o fundo da baliza.
O apito final não selou apenas um empate, selou o fim de um jejum histórico para um Qatar que, desta vez, provou que o esforço compensa quando o futebol decide sorrir aos resilientes.





Deixe um comentário