O futebol feminino português viveu, este domingo, uma daquelas tardes que se recusam a desaparecer da memória coletiva.
No relvado, mais do que uma vitória, disputava-se o direito de inaugurar os livros de registos de um duelo eterno. O Sport Lisboa e Benfica acabou por sorrir mais alto, erguendo a Taça após um triunfo categórico por duas bolas a zero, mas o verdadeiro momento de antologia aconteceu quando o cronómetro ainda mal tinha começado a correr.

Estavam decorridos escassos quatro minutos quando a bancada explodiu. Caroline Møller, a avançada dinamarquesa que aterrou esta temporada na Luz com a responsabilidade de ter vestido a camisola do Real Madrid, desfez o nulo e congelou o tempo. Ao empurrar a bola para o fundo das redes, a camisola dez não estava apenas a abrir o caminho para a conquista do troféu; estava, de forma indelével, a assinar a primeira página do historial dos clássicos da modalidade em Portugal.
Num desporto feito de pioneiros, o pontapé certeiro da nórdica garantiu-lhe o estatuto de imortalidade no panorama nacional. O espetáculo que se seguiu confirmou a superioridade encarnada, mas a narrativa daquela tarde de domingo ficou selada logo nos instantes iniciais. Há golos que valem títulos, e há outros que, por mérito da cronologia, inauguram eras. Møller fez as duas coisas num só remate e mais na frente do encontro voltou a marcar.





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