Rio Maior foi o cenário de um paradoxo cruel: enquanto o Torreense celebrava a melhor temporada da sua história, o Damaiense recolhia os cacos de uma queda anunciada. De um lado, a euforia de quem carimbou o passaporte para a qualificação da Liga dos Campeões com dois troféus no bolso, do outro, o silêncio de quem se despede da elite para mergulhar no purgatório da segunda divisão.

Foto: Torreense



O jogo começou por desafiar a lógica. O Damaiense, talvez motivado pelo orgulho de quem não quer sair de cena sem barulho, gelou as bancadas logo aos seis minutos. Tianna Harris foi a mais rápida a reagir a uma carambola no poste e empurrou para o fundo das redes, desenhando uma surpresa que duraria pouco. A equipa do Algarve ainda mostrou os dentes na fase inicial, mas a diferença de “pedigree” entre os dois conjuntos acabaria por ditar a sentença.

A alma desta reviravolta teve nome próprio, Gerda Konst. Primeiro, com o sangue-frio necessário para converter uma grande penalidade e, já no começo da segunda parte , com um autêntico “míssil” de fora da área que não deu hipóteses a Claire Henninger. Pelo meio, Mia Klammer elevou-se para selar as contas de cabeça, num 3-1 que pecou por escasso, tal foi o massacre de bolas nos postes e intervenções do VAR que negaram uma goleada maior.

Gonçalo Nunes fecha assim o pano sobre uma época de sonho, provando que o mau arranque no campeonato foi apenas um precalço numa caminhada triunfal rumo à Europa. Já para o Damaiense, resta o amargo sabor de uma despedida que nem o golo madrugador conseguiu adoçar.

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