O asfalto e a terra do Norte e Centro de Portugal raramente perdoam o excesso de confiança, e a edição de 2026 do Vodafone Rally de Portugal que faz parte do WRC (Mundial de Ralis) foi a prova viva de que o cronómetro só para no palanque final.

Num desfecho que roçou o argumento cinematográfico, Thierry Neuville ergueu o troféu de vencedor, mas a história deste rali escreve-se com o fustigamento da lama e a crueldade de um furo que roubou a glória a Sébastien Ogier.
Até à manhã de domingo, o rali tinha o selo do campeão francês. Ogier, ao volante do seu Toyota, parecia inalcançável depois de um sábado de domínio, onde chegou a impor uma vantagem de 21,9 segundos. Contudo, o cenário dantesco provocado pela chuva intensa e pela aderência precária transformou as classificativas de Vieira do Minho numa armadilha. Foi na segunda passagem por este troço que o destino trocou as voltas à classificação, um pneu traseiro direito desfeito obrigou Ogier a parar e a ver a sua oitava vitória em solo luso esfumar-se, caindo para um amargo sexto lugar.
Neuville, que soube esperar pelo erro alheio com uma consistência férrea, herdou o comando e não tremeu perante o “salto” de Fafe. O belga da Hyundai, que já não vencia por cá desde 2018, garantiu o triunfo à frente de um resiliente Oliver Solberg e de Elfyn Evans. Solberg, aliás, foi a alma da prova, chegando a liderar após uma exibição magistral sob o dilúvio em Paredes.
Um rali caótico, onde até se viu Evans a conduzir com um reboque à sua frente por falha na segurança e líderes a mudarem ao ritmo das nuvens, terminou com a redenção de Neuville. No final, a sorte que lhe faltara noutras paragens sorriu-lhe em Portugal.





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