A história de Luka Modrić é uma das mais marcantes do futebol mundial. Conhecido por quebrar o domínio de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi ao conquistar a Bola de Ouro, o médio do Milan teve um percurso de vida longe de ser fácil.
Nascido na Croácia, Modrić cresceu em Modrići, uma pequena aldeia situada nas montanhas Velebit, perto da fronteira com a Bósnia. Filho de Stipe e Radojka, que trabalhavam numa fábrica têxtil, passava grande parte do tempo com o avô, pastor, com quem mantinha uma forte ligação.
Muitas vezes, Modrić subia às montanhas para ajudar o avô e, nessa altura, chegou mesmo a ser filmado a guardar cabras, na companhia do pai, durante um documentário sobre lobos do realizador Pavle Balenovic.

Imagem- vídeo do YouTube do Sportium
A infância ficou marcada pela guerra civil da Jugoslávia, iniciada em 1991. O avô de Modrić foi uma das vítimas do conflito, tendo sido executado por milícias sérvias. Com apenas seis anos, foi forçado a fugir com os pais para Zadar, onde passaram a viver no hotel Kolovare, que foi adaptado para receber refugiados.
Foi nesse contexto que começou a jogar futebol, no parque de estacionamento do hotel. Apesar de tudo, lembra-se da sua infância como um período feliz, rodeado de amigos nesse hotel. O cenário era duro e marcado pela incerteza. O talento acabou por chamar a atenção de um funcionário do hotel, que contactou Josip Bajlo, responsável pelo NK Zadar. Impressionado, Bajlo ajudou a integrar Modrić no clube e a proporcionar-lhe melhores condições.
Ainda assim, o percurso não foi fácil. Considerado demasiado frágil fisicamente, foi rejeitado pelo Hajduk Split aos 12 anos, o que representou uma grande desilusão, por se tratar do seu clube do coração. Pensou em desistir, mas encontrou apoio em Tomislav Bašić, que acreditou no seu potencial, apostou no seu desenvolvimento e ajudou-o a recuperar a confiança.
Já como sénior, foi emprestado ao Zrinjski Mostar, onde, apesar das dificuldades, foi eleito o melhor jogador da liga. Seguiu-se uma passagem pelo NK Inter Zaprešić, sendo convocado para os sub-21 da Croácia, antes de se afirmar no Dinamo Zagreb, onde conquistou títulos e ganhou projeção.
Com o primeiro salário, comprou uma casa para os pais. Em 2006, estreou-se pela seleção principal frente à Argentina e, em 2008, participou no Europeu, destacando-se como um dos melhores jogadores da competição.
Em 2012, transferiu-se para o Real Madrid, onde se tornou uma peça fundamental e conquistou 28 títulos. Apesar de, no início, ter sido considerado a “pior contratação do Real Madrid”, numa transferência avaliada em 42 milhões de euros, acabou por contrariar todas as expectativas. Esse “erro” transformou-se no jogador que mais vezes venceu a Liga dos Campeões. Saiu do clube como uma figura admirada por todos.

Foto: Real Madrid
A partir daí, construiu uma carreira de topo, passando pelo Tottenham e consolidando-se no Real Madrid. Em 2018, liderou a Croácia até à final do Mundial e conquistou a Bola de Ouro, pondo fim ao domínio de uma década de Ronaldo e Messi.
De um miúdo que jogava num parque de estacionamento durante a guerra a melhor jogador do mundo, Modrić tornou-se um verdadeiro exemplo de superação no futebol.




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