O relvado do Estádio Gaspar Dutra, em Cuiabá, foi este domingo o cenário de um contraste bizarro entre a evolução tecnológica e o retrocesso civilizacional. Durante o embate entre o Mixto e o Fluminense, a contar para o Brasileirão Feminino, o desporto foi secundarizado por um crime de ódio e por um fenómeno físico insólito que transformou o campo de jogo num terreno impraticável.

Aos 21 minutos, o futebol deu lugar ao protocolo. A árbitra Adriana Costa Farias, num gesto em “X” que se torna tristemente recorrente, interrompeu a partida após a atacante Keké, do Fluminense, ter sido alvo de insultos racistas e homofóbicos vindos da bancada. A resposta das autoridades foi imediata: o agressor foi identificado pela polícia e retirado do estádio sob custódia. Em comunicado, ambos os clubes uniram-se no repúdio, com o Fluminense a exigir punições severas para o que descreveu como uma afronta à integridade das suas atletas.
Como se o peso da intolerância não bastasse, a natureza ou talvez a manutenção deficiente decidiu intervir. No início da segunda parte, uma enorme bolha de água e ar surgiu sob o tapete sintético, criando um relevo surrealista junto a uma das balizas. O insólito forçou as jogadoras a tentarem, com os próprios pés, esvaziar o “balão” causado pelo rebentamento de um cano de irrigação.
Entre o combate ao preconceito e a luta contra o solo instável, o Fluminense acabou por garantir a vitória por 2 a 0, num jogo que ficará na memória não pelos golos, mas pela resiliência perante o absurdo.




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