Natural do Funchal , Fátima Pinto trocou a ilha pelo continente e consolidou-se como uma das figuras mais marcantes do futebol nacional e da seleção. Após uma etapa de sucesso no clube leonino a internacional portuguesa despediu-se de Portugal no verão passado e cruzou a fronteira rumo a França.

O novo desafio de Fátima Pinto em solo gaulês é mais do que uma simples mudança de ares: é a afirmação de uma jogadora que, aos 20 jogos pelo RC Strasbourg, já carimbou dois golos e uma assistência, incluindo um momento de magia lusa ao combinar com Bruna Lourenço para travar o colosso OL Lyonnes
No entanto, o brilho atual não apaga as marcas da despedida do clube de Alvalade. Em entrevista à Flashscore, a internacional portuguesa, que soma mais de 100 jogos pela Seleção Nacional, abriu o coração sobre o adeus ao Sporting CP e ao facto de não se ter identificado com a gestão , separando a instituição das pessoas que a gerem.
“Eu não estou magoada com o Sporting, porque o clube é muito maior do que isso. São algumas pessoas que lá estão e a forma como geriram as coisas que, na minha opinião, não foi a mais correta”, confessou a média.

Fátima também aproveitou a oportunidade para subscreve as críticas de Mariana Cabral sobre a luta constante por dignidade, evidenciando que o desgaste no futebol feminino português vai muito além das quatro linhas. “Quando a Mariana fala do cansaço de estar sempre a pedir o que devia ser normal, eu identifico-me totalmente. A nossa carreira foi muito isso: estar constantemente a pedir condições básicas. E isso desgasta.”
Apesar das pedras no caminho, a filha do Funchal mantém o olhar grato sobre o passado, lembrando que o patamar atual da Seleção é fruto de quem desbravou o terreno antes dela. “Nunca podemos esquecer quem abriu caminho antes de nós. Carla Couto, Edite Fernandes, Paula Cristina e muitas outras fizeram muito para que hoje possamos ter as condições que temos na seleção. Elas batalharam muito e merecem esse reconhecimento”, sublinhou.

Hoje, em Estrasburgo, o cenário é de renovação e respeito mútuo. A jogadora parece ter encontrado finalmente o ecossistema que procurava, resumindo a experiência francesa com uma frase que diz tudo sobre o que ainda falta em muitos quadrantes do futebol português: “Aqui ouvem-nos e querem melhorar as nossas condições”.
Fátima Pinto segue assim o seu caminho, entre a estabilidade europeia e o orgulho de quem nunca esquece as suas raízes.




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