Estádio Manuel Marques, noite histórica de futebol europeu e uma lição de pragmatismo por parte das anfitriãs. O Torreense recebeu e bateu as ucranianas do Kolos Kovalivka por 6-1, abrindo uma almofada de cinco golos na primeira mão da eliminatória da UEFA Women’s Europa Cup, após a travessia inicial na Liga dos Campeões contra a Juventus.

Desde o apito inicial viu-se um Kolos a jogar no limite da urgência. A turma visitante entrou com uma agressividade física e uma pressa quase desesperada para dominar o miolo e projetar transições rápidas. Contudo, essa sofreguidão contraria foi totalmente desmontada pela eficácia cirúrgica da equipa lusa.
Aos 8 minutos, na primeira descida à área oposta, Bruna Ramos tirou o cruzamento e Maile Hayes antecipou-se ao primeiro poste de cabeça. A facilidade com que o marcador abriu definiu o tónus: o Kolos corria, mas o Torreense faturava. Aos 24, Raquel Ferreira inventou um passe de calcanhar para a recém-chegada Núria Mendoza encostar para o segundo, e aos 35’ Gerda Konst soltou um tiro de fora da área para o 3-0. Três remates enquadrados, três golos.
No segundo tempo o angel azul grena entrou igualmente dominador e em busca de mais , Konst bisou aos 54 num remate ao ângulo superior, punindo a saída de bola adversária.
O Kolos ainda reagiu pelo corredor direito por Sofiya Solomakha (reduzindo para 4-1 aos 58), aproveitando o único lance em que Rute Costa ficou desprotegida. A resposta final das pupila de Torres Vedras foi avassaladora: autogolo forçado por Bárbara Lopes aos 86’ e um livre direto magistral de Konst nos descontos a carimbar o hat-trick.
A chave da vitória esteve no contraste entre a ansiedade ucraniana e a maturidade tática de Gonçalo Nunes. A equipa soube retirar a bola ao adversário nos momentos de maior pressão, sobressaindo a nível de posicionamento entre linhas e leitura de jogo.
O rendimento de Gerda Konst no momento do remate de meia-distância funcionou como desbloqueador contínuo, enquanto a eficácia no último terço permitiu matar o jogo sem necessidade de ter o domínio territorial absoluto durante os 90 minutos.






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