O Estádio do Fontelo recebeu este domingo o primeiro grande jogo da temporada 2026/27, com Benfica e FC Porto a disputarem a Supertaça. As duas equipas apresentaram várias mudanças relativamente ao último encontro, disputado em maio, mas foi o conjunto encarnado quem entrou mais forte e renecontrou o caminho para a vitória da Supertaça que lhes escapava desse 2023

As águias entraram a morder os calcanhares das azuis e brancas, impondo uma toada asfixiante que sufocou a saída de construção rival.
Contudo, foi o dragão, fiel a uma postura inicial mais prudente e de bloco compacto, a morder primeiro numa bola parada Morgan Stone cabeceou para o fundo das redes, gelando a bancada encarnada, antes de o VAR intervir para anular o lance por escassos centímetros de fora de jogo.
A resposta benfiquista foi demolidora. Na reposição imediata, a defesa portista adormeceu coletivamente, permitindo que a bola sobrevoasse o setor intermediário até encontrar Frøya Dorsin, que, isolada perante Cora Brendle, não tremeu e inaugurou o marcador de forma legítima.
O jogo tático começou a desatar-se nos detalhes e nos erros não forçados. O meio-campo portista revelava uma enorme carência de serenidade na gestão dos tempos com bola, limitando-se a respirar através de lances estáticos. Foi precisamente por essa via que chegou o empate: aos trinta minutos, um braço na área de Caroline Møller ofereceu uma grande penalidade. Fátima Pinto, recém-chegada e já com a braçadeira de capitã no braço, assumiu a cobrança com frieza, faturando o seu primeiro golo com o símbolo portista ao peito.
Apesar do acerto nas bolas paradas, o coletivo da Invicta continuava a fraturar-se nas transições, acumulando passes sem rumo no contra-ataque. O Benfica aproveitou a bajeza posicional adversária pouco antes do descanso: Nycole soube explorar as costas da defensiva portista e, aproveitando uma bola perdida, fuzilou para o segundo tento.
A primeira parte encerrou com as encarnadas a comandar o ritmo e um Porto demasiado frágil nas dobras defensivas.
No reatamento, o guião manteve-se inclinado. A pressão alta do Benfica sufocava qualquer tentativa de construção das dragonas, que sofriam atrozes dificuldades para passar do seu próprio meio-campo. Aos cinquenta e quatro minutos, uma recuperação madura de Catarina Amado resultou num novo castigo máximo por derrube na área. Marit Lund chamou a si a responsabilidade e disparou para o terceiro, ampliando a margem.
A tarde teve ainda espaço para a emoção pura aos sessenta minutos, com o regresso apoteótico de Andreia Norton aos relvados após um calvário de quase um ano lesionada. Mas a frescura física pesou.
A equipa de Daniel Chaves acusou um desgaste profundo, evidenciando debilidades estruturais e ansiedade competitiva. O castigo acentuou-se aos sessenta e cinco minutos: Caroline Møller rompeu pelo corredor e serviu Lúcia Alves, que cruzou com conta, peso e medida para a dinamarquesa encostar de primeira e assinar o quarto.
Já na reta final, a recém-entrada Anna Csiki coroou uma triangulação iniciada por Chandra Davidson para fechar a mão cheia de golos e carimbar o triunfo categórico.
O Benfica volta assim a erguer um troféu que lhe fugia desde 2023, exibindo uma superioridade clara ao longo dos noventa minutos. Em termos globais, a turma encarnada esteve irrepreensível na pressão alta, na intensidade sufocante e na rapidez com que explorou as debilidades do adversário, embora tenha permitido alguns respiros desnecessários devido a pontuais desconcentrações na primeira parte e a alguma ineficácia na zona de finalização lateral.
Do lado portista, a equipa demonstrou excelente aproveitamento das bolas paradas e resiliência na liderança de Fátima Pinto, mas acabou por pagar muito caro a incapacidade crônica de reter a posse de bola no meio-campo, a lentidão nas dobras defensivas e os constantes erros de passe no contra-ataque que alimentaram o caudal ofensivo das águias.





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