Miami foi palco de um duelo surreal, uma autêntica montanha-russa emocional que terminou num 6-4 favorável à Inglaterra, garantindo-lhes o terceiro lugar. Foi um jogo de contrastes violentos, onde a competência técnica se perdeu num caos defensivo que expôs o pior e o melhor de ambas as potências.

A Inglaterra de Tuchel entrou em campo com uma eficácia cirúrgica. Na primeira parte, foram um rolo compressor: Rice, Konsa e um Saka inspirado desmontaram uma França apática. O coletivo inglês funcionou com uma fluidez notável, explorando as costas da defesa adversária com transições verticais rápidas. No entanto, o lado sombrio desta exibição surgiu após o intervalo.
Com a vantagem de 4-0, os ingleses desconectaram-se, permitindo que a complacência e erros individuais comprometessem uma liderança confortável. A gestão de Tuchel foi contestada, especialmente pela utilização de jogadores em esforço, o que quase custou a vitória quando o bloco defensivo se desfez perante a pressão.
Do outro lado, a França viveu um pesadelo que, paradoxalmente, revelou o seu maior trunfo: a resiliência individual. A primeira parte foi um desastre tático e físico, com uma passividade defensiva que permitiu que Inglaterra circulasse a bola com demasiado espaço.
Mas, na segunda metade, a equipa transformou-se. A entrada de Dembélé e Barcola injetou uma velocidade que a Inglaterra não conseguiu conter.
Apenas três minutos após o intervalo, Kylian Mbappé deu o primeiro aviso ao finalizar com precisão um passe de Olise, aproveitando uma desatenção de Ollie Watkins. O ímpeto gaulês era imparável pouco depois, foi Bradley Barcola a inscrever o seu nome na lista de marcadores, gelando as bancadas inglesas e reduzindo para 4-2. A remontada ganhou contornos de milagre quando o inevitável Mbappé, numa tabelinha de luxo com Olise à entrada da área, bisou na partida e colocou o marcador num aflitivo 4-3 para a Inglaterra.
O jogo tornou-se um tiroteio sem proteção. Quando a França parecia ter a Inglaterra encostada às cordas, surgiu uma grande penalidade a favor dos “Três Leões”, que Bukayo Saka não desperdiçou, elevando a contagem para 5-3. Nem assim a França baixou os braços: Ousmane Dembélé, vindo do banco com a missão de reverter o caos, ainda conseguiu reduzir para 5-4, mantendo a incerteza até ao último suspiro.
Foi um período de 0% de lógica e 100% de instinto. A Inglaterra, apesar de ter vacilado e permitido que os franceses voltassem ao jogo por erros primários de posicionamento, demonstrou um fôlego final redentor. Com a França lançada no ataque, desguarnecida lá atrás, Jude Bellingham aproveitou um contra-ataque letal já no minuto 90+8.
Um jogo sem meio-termo, onde o talento ofensivo suplantou, de longe, o rigor defensivo de ambos os lados. A Inglaterra levou a melhor e ficou com o último lugar no pódio do mundial






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