O relógio marca o início de uma nova era e primeiras notas musicais ecoaram em Auckland.

Foto: Reprodução Internet e X



Em campo, onze mulheres vestidas com as cores do Afeganistão seguravam as lágrimas, gravando nas bancadas e na história um momento que ultrapassa a barreira do desporto. Sob o nome de Afghan Women United, esta seleção de refugiadas banidas de jogar na sua própria terra natal pelo regime talibã desde 2021 estreou-se finalmente num relvado com a chancela oficial da FIFA.

O marcador final registou uma derrota por 1-0 frente às Ilhas Cook, mas o resultado desportivo foi a nota de rodapé menos relevante de toda a jornada. O verdadeiro triunfo começou a desenhar-se meses antes, em Vancouver, quando em abril o Conselho da FIFA alterou as suas próprias regras rígidas para abraçar a exceção. Ao contornar a exigência de reconhecimento por parte de uma federação nacional hostil, a instituição abriu as portas permitindo de forma excecional que uma equipa de refugiadas representasse o país sem necessitar do aval da Federação Afegã de Futebol, que não reconhece o futebol feminino.

Embora o projeto tenha dado os primeiros passos num torneio em Marrocos, no final de 2025, o jogo em Auckland representou a estreia oficial com o novo estatuto de reconhecimento internacional.

Para os responsáveis do futebol mundial, a iniciativa visa garantir que nenhuma mulher seja excluída do desporto devido ao seu contexto político.

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