O fumo de Dallas dissipou-se para expor um cenário dolorosamente familiar. No relvado texano, o percurso de Portugal neste Mundial desmoronou-se frente à Espanha (1-0), num eco perfeito do desaire sofrido nos oitavos de final de 2010. A seleção vizinha, ávida por vingar a última Liga das Nações, carimbou o passaporte para a fase seguinte à custa da apatia e dos erros da formação lusa.

O bloco montado por Luis de la Fuente asfixiou por completo a construção de Portugal. Através de uma pressão sufocante sobre os laterais portugueses, a Espanha retirou o oxigénio ao meio-campo luso, forçando a equipa de Roberto Martínez a um futebol direto e previsível. Sem capacidade física na frente para ganhar essas bolas longas, a seleção nacional passava o tempo a correr atrás do prejuízo, enquanto a La Roja exibia a sua habitual paciência na circulação.
Ainda assim, a primeira parte teve momentos de fulgor e equilíbrio. A Espanha ameaçou primeiro por Oyarzabal, que desperdiçou uma oportunidade soberana na cara de Diogo Costa, mas a resposta de Portugal foi personalizada. Com Nuno Mendes imperial a secar Lamine Yamal, a equipa libertou-se amarras, Bruno Fernandes serviu Cristiano Ronaldo para uma defesa segura de Unai Simón e, mesmo antes do intervalo, o próprio Nuno Mendes disparou uma bomba que Pedro Porro desviou contra a barra.

Tudo ruiu na segunda metade. A lesão forçada de Nuno Mendes quebrou o elo mais forte da defesa e Martínez optou por recuar as linhas em vez de arriscar. Enquanto a Espanha refrescava o jogo e ganhava dinâmica com as substituições, o banco português parecia congelado. Nomes como Trincão ou Matheus Nunes, que podiam agitar a partida, foram esquecidos.
Portugal entregou a bola ao adversário, revelou uma lentidão confrangedora nas transições e limitou-se a defender a sua área na esperança de arrastar o nulo até ao prolongamento.

A punição para tamanha passividade chegou no minuto noventa. Numa transição rápida da Espanha, Ferrán Torres arrastou Rúben Dias e isolou Mikel Merino, acabado de sair do banco, que bateu Diogo Costa sem apelo. O golo tardio premiou a audácia espanhola e castigou o calculismo português.
Portugal caiu por culpa própria, sem alma e sem engenho. Sem chama, sem dribles e sem soluções. A seleção pagou o preço mais alto por ter brincado com o fogo desde a fase de grupos.





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