O sorteio da Liga dos Campeões tem destas rasteiras: põe a vida do avesso e obriga-nos a olhar para quem mais gostamos como se fosse o pior dos vilões. Que o digam Mapi León e Ingrid Engen.

Juntas há cinco anos, as duas futebolistas vão enfrentar-se este sábado, em Oslo, vão passar de uma convivência debaixo do mesno teto para o relvado, mas com camisolas diferentes. A central espanhola continua a mandar na defesa do Barcelona, já a centrocampista norueguesa mudou-se no verão passado do clube catalão para o projeto do OL Lyonnes. Agora, o título europeu atravessou-se entre as duas.
Nas redes sociais, o casal não escondeu o jogo nem tentou inventar o discurso fofinho da praxe. “Na guerra vale tudo. Nenhuma de nós vai ter qualquer tipo de piedade”, disparou Mapi León, sem panos quentes e em tom de brincadeira. A espanhola assume que a aproximação do jogo lhe moldou o instinto: “Para ganhar, temos de procurar os pontos fracos. Vamos à procura deles e vamos com tudo. À medida que o tempo passa, cais em ti e percebes que vais ser totalmente inimiga da pessoa que tens ao lado.”
Engen, que joga em casa, no seu país natal, assume que a saída da Catalunha teve exatamente este preço. “Deixei o Barça porque também queria lutar por este título”, explicou a nórdica, fria no foco profissional. “Tens de conseguir jogar um jogo assim sem pensar em ti nem no facto de conheceres as jogadoras da outra equipa.”
Para não estragarem o que demoraram meia década a construir, houve uma linha vermelha traçada na mesa: “Não vamos falar de nada de futebol durante a última semana”, revelou Mapi.
Em Oslo, o amor vai para a bancada durante noventa minutos. No campo, joga-se a vida à faca.





Deixe um comentário