Havia algo de inevitável na forma como Rúben Rodrigues encarou as classificativas deste Rali de Portugal. Não era apenas condução era uma declaração de intenções escrita a alta velocidade. A dupla açoriana, com Rui Raimundo a ditar o ritmo no banco do lado, não deu margem para grandes heresias.

Foto: CPR via Instagram



Depois de já terem silenciado a concorrência na Aboboreira, chegaram à maior montra do automobilismo nacional para provar que o sotaque açoriano é capaz de lutar.

A vitória, selada com uma gestão cirúrgica, foi o culminar de um rali de contrastes. Enquanto Rodrigues desenhava trajetórias perfeitas, o drama consumia os seus perseguidores. Gonçalo Henriques, num Hyundai que parecia querer morder o pó, deu tudo o que tinha. Venceu a Power Stage, esticou os limites da física, mas morreu na praia por escassos 9,6 segundos. Atrás deles, Pedro Almeida fazia do Toyota um monumento à regularidade, agarrando o último lugar do pódio com unhas e dentes.

Mas o rali é um desporto cruel e Armindo Araújo sentiu o peso dessa ingratidão. Um cabo elétrico solto, um detalhe de cêntimos, roubou minutos ao homem de Santo Tirso e atirou-o para as profundezas da tabela, transformando a sua prova numa missão de resgate de honra. José Pedro Fontes também não teve vida fácil, entre um Lancia que teimava em não travar e uma penalização que caiu como um balde de água gelada, o veterano viu-se relegado para um sexto lugar que sabe a pouco.

Rodrigues sai deste Rali com o peito cheio e a liderança reforçada. O campeonato ruma agora ao asfalto, território onde o favoritismo costuma mudar de mãos, mas quem ganha num Rally de Portugal com esta autoridade, não teme o alcatrão. A mensagem foi enviada, para bater os açorianos, vai ser preciso muito mais do que vontade. Vai ser preciso perfeição.

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