O futebol feminino espanhol vive um dos seus dias mais sombrios. O Levante UD, emblema que outrora ditava as leis nos relvados e que se orgulha de um palmarés invejável, quatro Ligas, seis Taças da Rainha e duas Supertaça, viu o seu destino selado com uma derrota pesada frente ao FC Barcelona. O veredito é implacável: a descida à Primera RFEF é agora uma realidade matemática

É um desfecho que custa a digerir para quem acompanhou a ascensão desta modalidade. Falamos do primeiro clube espanhol a marcar presença na Liga dos Campeões, uma equipa que, até há bem pouco tempo, olhava nos olhos os colossos europeus. No entanto, a queda livre desta temporada foi o culminar de um processo de degradação institucional e desportiva que começou a ganhar contornos dramáticos após o desaire financeiro da estrutura masculina em 2022.
A campanha foi um desastre. Com apenas oito pontos somados, o Levante foi uma sombra do que já foi, revelando uma fragilidade defensiva gritante e uma incapacidade ofensiva que o condenou ao último lugar. É impossível olhar para este cenário sem recordar o luxo técnico que já habitou as fileiras “granotas”. Este clube foi a “escola” de figuras que hoje dominam o panorama mundial, como a Bola de Ouro Alexia Putellas, Ona Batlle, Sandra Pañoa, Esther González ou Eva Navarro. Até a antiga selecionadora espanhola Montse Tomé e até mesmo atual selecionadora Sonia Bermúdez passaram por lá assim como e talentos como Gio Queiroz e Mayra Ramirez ajudaram a escrever esta história.
A ligação a Portugal também se desmorona nesta queda. Se no passado Jéssica Silva emprestou a sua magia ao ataque valenciano, o plantel atual contava com a liderança de Dolores Silva. Ver a capitã da Seleção Nacional Portuguesa, uma referência de resiliência, capitular perante uma estrutura em desagregação, é a prova final de que o talento individual pouco pode fazer quando o projeto desaba.
Assiste-se ao fim de um ciclo de um pioneiro. O adeus à Liga F não é apenas a perda de uma vaga; é a queda de um viveiro de lendas. Resta agora a hercúlea tarefa de reconstruir um projeto que bateu no fundo, na esperança de que o regresso à elite seja tão digno quanto a sua história exige.





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