O Multiusos de Gondomar transformou-se, este domingo, num autêntico coliseu do futsal feminino. De um lado, o Benfica,histórico detentor de troféus; do outro, o Nun’Álvares, a formação de Fafe que, num crescimento meteórico, ameaça a hegemonia encarnada. Depois de as nortenhas terem roubado a Taça da Liga às águias há apenas um mês, o cenário estava montado para um ajuste de contas com o cheiro da “prova rainha”.

A primeira parte teve o carimbo da insistência lisboeta. Fifó foi o motor das intenções encarnadas, mas encontrou em Júlia Melzuma barreira que parecia intransponível. O Benfica dominava, desenhava transições venenosas, mas a eficácia teimava em não comparecer Janice chegou mesmo a fazer estremecer a trave. O nó górdio só foi desatado aos 15 minutos: num lance de laboratório, Inês Fernandes cobrou um canto e Fifó, oportuna, encostou para o fundo das redes.
A fechar o primeiro tempo, o pavilhão ferveu não pelo espetáculo, mas pela polémica. Um pedido de revisão de vídeo por parte de Paulo Tavares, após uma queda na área benfiquista, foi recusado pela equipa de arbitragem por questões processuais, deixando o banco do Nun’Álvares em polvorosa.
No reatamento, a história mudou de mãos. O Nun’Álvares despiu-se do respeito excessivo e partiu ao assalto. Foi então que emergiu a figura da tarde: Ana Catarina. A guarda-redes do Benfica assinou uma exibição de antologia, negando sucessivamente o golo a Camila Silva e Lídia Moreira. Se o ataque fafense foi uma tempestade, a guardiã das águias foi o porto de abrigo que manteve a vantagem mínima até ao soar da buzina.
Nem o desespero do 5×4 nos instantes finais, nem a bola que tirou tinta ao poste no último suspiro, impediram o desfecho. Com o 1-0 final, o Benfica ergue a sua 10.ª Taça de Portugal, reafirmando o seu estatuto num duelo que já é o novo grande clássico da modalidade.





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