Diz o clichê que o futebol é um jogo de onze contra onze onde, no final, ganham os favoritos. Pois bem, em Gaia, o Damaiense decidiu rasgar o guião. No Estádio Dr. Jorge Sampaio, defrontavam-se dois mundos: o Valadares que olha para o pódio da Liga BPI e para os lugares europeus com a ambição de quem faz uma época bem feita, e um conjunto do Algarve que carregava o fardo pesado de serem últimas.

Foto: FPF (25/04/2026)



O que se viu, porém, foi a revolta de quem se recusa a cair. As figuras da manhã têm nome e apelido: Lidiane Antunes e Sara Cartaxo. Numa exibição de gala que não foi apenas estatística, foi um manifesto de sobrevivência.

A manhã começou com a pressão esperada das visitadas. McKenna Martinez chegou a fazer balançar as redes aos 31 minutos, mas o VAR , que viria a ser protagonista recorrente, anulou o lance por fora de jogo. O susto despertou as visitantes e, aos 37 minutos, a incontornável Lidiane Antunes inaugurou o marcador através de uma grande penalidade.

Contudo, a vantagem durou pouco. Antes do descanso, um erro de cálculo da guardiã Amber Lockwood resultou em novo castigo máximo, desta vez favorável ao Valadares. A inglesa Erica Meg não tremeu e repôs a igualdade.

Mas o destino parecia traçado a favor da surpresa.

O segundo tempo trouxe um Damaiense mais audaz, explorando com critério as costas da defensiva gaiense. Enquanto o VAR ia tirando e dando esperanças, o Damaiense foi cirúrgico. Aos 69 minutos, Sara Cartaxo finalizou uma transição perfeita desenhada por Maria Malta, gelando as bancadas.

Nem a expulsão de Lockwood, que deixou as visitantes em inferioridade numérica no cair do pano, travou o ímpeto da formação do sul. Com o sangue-frio de quem sabe que cada ponto vale ouro, Lidiane fechou as contas aos 90 minutos com o seu terceiro golo.

O 1-3 final é um balão de oxigénio crucial para o Damaiense, que foge à descrença e relança a corrida pela manutenção, deixando o Valadares Gaia com contas complicadas na perseguição aos lugares cimeiros.

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