O fim de uma era não se anuncia apenas com o cair do pano, mas com o silêncio pesado que agora ecoa nos corredores de Valdebebas. Misa Rodríguez e Teresa Abelleira, os dois últimos grandes pilares da fundação do Real Madrid feminino e capitãs preparam as malas para abandonar a capital espanhola a 30 de junho. Não é apenas uma questão de contratos que expiram, é o ADN de um projeto nascido em 2020 que se desvanece por entre os dedos da direção merengue.

Foto: Real Madrid



A saída de Misa, a guardiã que em 214 batalhas defendeu a baliza branca com unhas e dentes, carrega o amargo sabor da ingratidão. Ídola das bancadas, a internacional espanhola vê o clube fechar-lhe a porta da renovação, empurrando-a para um adeus forçado que os adeptos custarão a perdoar.

Já Teresa Abelleira, o cérebro que pautou o jogo em 168 ocasiões, escolhe o seu próprio destino. Nem a insistência do clube nem a recuperação de uma grave lesão no joelho a demoveram: o seu futuro, traçado entre o interesse da liga inglesa e o sonho americano, passa longe de Madrid.

Ambas com 26 anos e o ouro mundial no currículo, deixam um vazio que Pau Quesada terá dificuldade em preencher. Num ano em que o Barcelona voltou a ditar leis e a Champions foi um sonho curto, o Real Madrid perde a sua identidade original. Onde antes havia a mística das pioneiras, resta agora a incerteza de uma reconstrução que começa do zero, sem as mãos de Misa e sem a visão de Teresa para guiar o caminho.

Deixe um comentário

Tendência