Houve um tempo em que se julgava que as marcas deixadas por Lionel Messi em Barcelona seriam gravadas em mármore, intocáveis para o resto da eternidade. Mas o futebol, mestre em pregar partidas ao destino, decidiu que a história da Catalunha ainda tinha páginas em branco para serem preenchidas por uma bota esquerda igualmente mágica.

Foto: FC Barcelona



Alexia Putellas, a capitã que carrega a mística de um clube inteiro no braço, não é apenas uma sucessora, é, agora, a detentora absoluta das chaves do museu de Camp Nou.

Ao erguer a mais recente taça de campeã nacional, Alexia sentiu o peso de 36 conquistas, um número que a coloca isolada no topo do Olimpo “culé”. Ao ultrapassar os 35 troféus do astro argentino, a capitã provou que o seu reinado não é feito de marketing ou de circunstâncias, mas de uma fome insaciável por glória. Cada golo que a coloca no pódio das artilheiras históricas e cada título celebrado no relvado são estilhaços de um teto de vidro que ela mesma fez questão de quebrar.

O que vemos hoje é a transformação de um ícone em lenda viva. No olhar de Alexia não se lê o conforto de quem já ganhou tudo, mas sim a urgência de quem ainda quer a Taça e a Europa nesta mesma temporada. Ela não corre apenas atrás de uma bola, corre contra a própria história para garantir que, daqui a cem anos, quando se falar de grandeza em Barcelona, o seu  nome seja um dos primeiros a ser pronunciados, tenha o eco da sua voz e a força do seu legado.

A coroa mudou de mãos, e nunca pareceu tão bem entregue.

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