Buenos Aires parou. Não foi apenas o Monumental que encheu para assistir ao adeus de Lionel Messi à camisola da Argentina. Foram as ruas, as bancadas e um país inteiro a despedir-se de um jogador que, durante mais de duas décadas, carregou consigo uma camisola que passou a representar muito mais do que futebol.

No mesmo estádio onde, há quase 21 anos, vestiu pela primeira vez a camisola da seleção em solo argentino, Messi voltou a entrar em campo para escrever as últimas páginas da sua história com a Albiceleste. Desta vez, entrou de mãos dadas com os filhos, acompanhado pelo olhar emocionado de Antonela e da família. O cenário era diferente, mas o peso daquele momento era incomparavelmente maior.

O encontro ganhou contornos de homenagem ainda antes do apito final. Ao minuto 10, o Monumental levantou-se para cantar o nome do capitão, enquanto o céu se enchia de fogo. Depois vieram os golos. Messi assistiu Otamendi para o primeiro, voltou a participar na construção do segundo, entregue a Nico Paz, e aos 70 minutos foi ele próprio quem apareceu para marcar. Um último golo, no lugar onde tudo começou.
A noite terminou com mais de 85 mil pessoas nas bancadas e um espetáculo de drones sobre Buenos Aires, projetando no céu o rosto do homem que ajudou a transformar uma geração inteira da Argentina.
Foram 208 jogos, 125 golos e 68 assistências. Seis Mundiais, duas Copas América e o título mundial conquistado no Catar, em 2022. Mas talvez os números não consigam explicar o tamanho deste adeus.
Messi continuará a jogar pelo Inter Miami. A Argentina, porém, perdeu esta noite o seu número 10. E quando uma era termina desta forma, o futebol percebe que não está apenas a despedir-se de um jogador. Está a fechar um capítulo da sua própria história.

Talvez a verdadeira dimensão de uma lenda se revele precisamente no momento em que decide parar. Messi não saiu empurrado pelo tempo, nem deixou a camisola à espera de um último capítulo por escrever. Saiu quando ainda podia ser protagonista, marcou, assistiu e deixou o palco iluminado para aqueles que agora começam a escrever a sua própria história. Ao lado deles fica uma geração que cresceu a vê-lo jogar e que, a partir de hoje, terá de aprender a imaginar a Argentina sem o seu número 10.
Porque chegar ao topo pode ser obra de talento, trabalho e destino. Mas saber afastar-se desse lugar, aceitar que o futebol continua e abrir espaço para os que vêm depois é uma forma diferente de grandeza. Messi teve a oportunidade de escolher como queria ser recordado e, na sua última noite com a Argentina, escolheu sair pela porta grande.
Com um golo, duas assistências, um estádio de pé e um país inteiro a dizer-lhe adeus. Não podia ter escrito um último capítulo mais à sua medida.
Homenagem após o jogo nos céus de Buenos Aires:







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