Durante mais de 70 minutos, o Benfica conseguiu fazer aquilo que poucas equipas conseguem perante o Bayern Munique, retirar-lhe espaço, limitar a sua capacidade de desequilíbrio e manter o encontro dentro de um cenário favorável às suas pretensões.

O desfecho, contudo, transformou uma exibição de grande maturidade competitiva numa derrota por 0-3, na segunda jornada da fase de liga da Liga dos Campeões feminina, no Estádio da Luz.
Depois de vencer a Juventus na ronda inaugural, as encarnadas receberam as campeãs alemãs com uma estratégia assente na proximidade entre setores e na redução dos espaços interiores. O Bayern teve mais bola e instalou-se frequentemente no meio-campo português, mas encontrou dificuldades para transformar esse domínio territorial em oportunidades claras. Com o bloco compacto, o Benfica fechava as linhas de passe para a zona central e obrigava as visitantes a procurar soluções pelos corredores, onde a vigilância defensiva condicionava a chegada à área de Lena Pauels.
A equipa de Ivan Baptista também soube identificar os momentos para acelerar. Foi precisamente numa recuperação em zona adiantada que Frøya Dorsin ficou perto de inaugurar o marcador, obrigando Ena Mahmutovic a uma intervenção de elevado nível. A resposta surgiu por intermédio de Pernille Harder, que não conseguiu acertar na baliza após um cruzamento vindo da esquerda. Apesar da pressão bávara, o Benfica manteve-se organizado, resistiu às tentativas de aproximação e chegou ao intervalo sem sofrer golos.
A entrada na segunda parte confirmou a ambição encarnada. Andreia Norton, solicitada pela direita, obrigou Mahmutovic a nova defesa, e, na sequência do canto, Frøya voltou a ameaçar. O Benfica não se limitava a sobreviver conseguia sair, encontrar espaços e criar situações para ferir um adversário que, apesar da superioridade na posse, continuava sem encontrar a chave para desbloquear o encontro. Até perto dos 70 minutos, a estratégia portuguesa mantinha o Bayern condicionado e o resultado em aberto.
Foi então que tudo mudou. Aos 74 minutos, Klara Bühl encontrou espaço para um remate poderoso e colocou as alemãs em vantagem. O golpe teve consequências imediatas: aos 80′, Harder aproveitou uma abordagem defensiva incompleta para fazer o segundo, apesar da tentativa desesperada de Diana Gomes sobre a linha. Com o Benfica obrigado a arriscar, Franziska Kett fechou as contas num contra-ataque.
O bom esteve na organização, na disciplina tática e na capacidade de discutir o jogo durante largos períodos. O mau surgiu na incapacidade de proteger a baliza depois do primeiro golo: em poucos minutos, o Benfica viu escapar um encontro que tinha conseguido controlar, acabando castigado por uma eficácia alemã que fez toda a diferença.






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