Elenco enfrentou atraso nos direitos de imagem, cobrou a diretoria no Parque São Jorge e teve os valores regularizados antes da semifinal do Brasileirão

Jogadora do Corinthians Feminino durante partida pelo Campeonato Brasileiro de 2026.
Crédito: Corinthians/Divulgação
O Corinth



O Corinthians Feminino se acostumou a levantar troféus. Nos últimos anos, as Brabas construíram uma das trajetórias mais vitoriosas do futebol feminino brasileiro e se tornaram referência dentro e fora do país. Em 2026, porém, uma crise financeira colocou os bastidores do departamento no centro das atenções.

O elenco passou por semanas de atraso nos direitos de imagem e precisou cobrar diretamente a diretoria do clube. A situação envolveu reuniões com o presidente Osmar Stábile, promessas de pagamento que não foram cumpridas dentro do prazo e, posteriormente, a quitação dos valores às vésperas de uma semifinal do Campeonato Brasileiro.

A pendência dos direitos de imagem foi resolvida em 15 de setembro. As premiações conquistadas ou disputadas pela equipe, entretanto, ainda eram motivo de cobrança.

A cobrança no Parque São Jorge

A crise ganhou força em agosto. As jogadoras estavam com dois meses de direitos de imagem atrasados e ainda aguardavam o pagamento de premiações relacionadas a competições anteriores.

No dia 25 de agosto, algumas das principais lideranças do elenco estiveram no Parque São Jorge para conversar com o presidente Osmar Stábile. Érika, Vic Albuquerque, Gisela Robledo, Thaís Regina, Ivana Fuso e Lelê participaram da reunião, acompanhadas pela técnica Emily Lima e pela diretora Íris Sesso.

A cobrança não envolvia apenas dinheiro. O grupo também buscava respostas da diretoria e maior diálogo sobre o momento vivido pelo departamento feminino.

Jogadoras do Corinthians estiveram na sede social em razão dos atrasos de pagamento
Crédito: Marcelo Nascimento



A reunião aconteceu em um momento delicado para o clube. O Corinthians atravessava uma crise financeira que atingia diferentes áreas, enquanto o futebol feminino continuava envolvido em competições importantes.

Três premiações também estavam pendentes: a referente ao título da Libertadores Feminina de 2025 e as bonificações pelos vice-campeonatos da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026.

Primeiro pagamento veio três dias depois

Depois da reunião, o Corinthians pagou, em 28 de agosto, um dos meses de direitos de imagem que estavam atrasados. A expectativa era de que o segundo mês fosse quitado na sequência. Porém, o prazo não foi cumprido.

No início de setembro, as jogadoras ainda aguardavam o pagamento restante. A situação aumentou a preocupação dentro do elenco justamente quando o time se aproximava da reta decisiva do Campeonato Brasileiro.

O atraso não significava que os salários registrados em carteira estivessem na mesma situação. A pendência discutida naquele momento era referente aos direitos de imagem, uma parcela diferente da remuneração das atletas.

Foto: Emily Lima orienta as jogadoras do Corinthians durante o treino.
Crédito: Corinthians/Divulgação





A crise chegou ao campo

Mesmo com os problemas fora das quatro linhas, o Corinthians continuou avançando no Campeonato Brasileiro.

A equipe eliminou o Cruzeiro nas quartas de final e chegou à semifinal contra o Bahia. A sequência esportiva, no entanto, aconteceu paralelamente às incertezas financeiras.

Emily Lima chegou a falar sobre o impacto do cenário no planejamento da equipe. A treinadora também explicou que as dificuldades financeiras limitavam a possibilidade de reforçar o elenco para a sequência da temporada.

Para as jogadoras, a situação também tinha um peso que ultrapassava o futebol. O atraso nos pagamentos afetava profissionais que dependem da atividade esportiva como principal fonte de renda.

A cobrança, portanto, não representava apenas uma discussão administrativa. Era também uma tentativa de garantir previsibilidade para quem seguia treinando e entrando em campo enquanto aguardava os valores devidos.

Foto: Corinthians e Bahia se enfrentaram pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino.
Crédito: Corinthians/Divulgação



O pagamento antes da semifinal

A solução para os direitos de imagem veio em um momento decisivo. No dia 15 de setembro, poucas horas antes da partida de ida da semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Bahia, o Corinthians realizou o pagamento restante.

O valor que estava atrasado foi finalmente regularizado antes de a equipe entrar em campo na Arena Fonte Nova.

A resposta veio dentro de campo. O Corinthians venceu o Bahia por 1 a 0, em Salvador, com gol de Jhonson após assistência de Belén Aquino.

O pagamento encerrou uma das principais pendências que vinham sendo cobradas pelas jogadoras, mas não colocou um ponto final em todas as questões financeiras envolvendo o elenco.

As premiações continuam pendentes

Com os direitos de imagem regularizados, a situação das Brabas passou a ser dividida em duas partes. De um lado, a pendência que havia provocado a cobrança mais recente foi resolvida. De outro, as premiações continuavam sem pagamento.

Entre os valores cobrados estavam a premiação pelo título da Libertadores Feminina de 2025 e as bonificações referentes aos vice-campeonatos da Copa das Campeãs e da Supercopa Feminina de 2026.

A diferença é importante porque evita tratar todas as obrigações financeiras como se fossem a mesma coisa. Os direitos de imagem foram pagos em setembro, enquanto as premiações permaneciam em aberto







RAIO-X DA SITUAÇÃO DAS BRABAS

Direitos de imagem
Regularizados em 15 de setembro.

Premiação da Libertadores Feminina de 2025
Pendente.

Premiação da Copa das Campeãs de 2026
Pendente.

Premiação da Supercopa Feminina de 2026
Pendente.

A crise enfrentada pelas Brabas aconteceu dentro de um cenário financeiro complicado para o Corinthians como um todo.

Em setembro, o clube também enfrentou atraso no pagamento dos salários do elenco e da comissão técnica do futebol masculino. A situação mostra que o problema financeiro não estava restrito ao departamento feminino.

Ainda assim, o caso das Brabas ganhou uma dimensão própria porque o time seguia disputando títulos enquanto lidava com pagamentos atrasados.

O contraste chamou atenção: dentro de campo, uma equipe acostumada a disputar decisões; fora dele, atletas cobrando o cumprimento de compromissos financeiros.

Entre títulos e cobranças

O episódio de 2026 não apaga a história construída pelo Corinthians Feminino. Pelo contrário. A equipe continua sendo uma das forças do futebol brasileiro e segue na disputa por mais um título nacional. Mas a crise expôs uma questão importante para o crescimento da modalidade.

O futebol feminino deixou de ser apenas um projeto paralelo dentro dos clubes. As atletas conquistaram espaço, títulos, público e visibilidade. Com isso, também passaram a cobrar estruturas compatíveis com o tamanho que a modalidade alcançou.

No Corinthians, essa cobrança aconteceu justamente em um dos momentos mais importantes da temporada.

As jogadoras foram ao Parque São Jorge pedir respostas. O clube realizou parte dos pagamentos, não cumpriu inicialmente o prazo para quitar o restante e, semanas depois, regularizou os direitos de imagem antes de uma semifinal.

Mas a crise de 2026 deixou registrado que, para sustentar um projeto vencedor, não basta apenas montar um time capaz de disputar títulos. É preciso garantir que a estrutura fora de campo acompanhe aquilo que as jogadoras constroem dentro dele.

Texto: Jéssica Almeida

Deixe um comentário

Trending

Descubra mais sobre Lance D'elas

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo