A seleção espanhola feminina prepara-se para dar um passo inédito na forma como encara a carreira das suas jogadoras. A Real Federação Espanhola de Futebol está a ultimar uma parceria com uma clínica de fertilidade que permitirá às internacionais recorrer ao congelamento de óvulos, com os custos dos tratamentos suportados pela própria federação.

A medida deverá ser oficializada nas próximas semanas e responde a uma questão que há muito é levantada no futebol feminino: como conciliar os anos de maior rendimento desportivo com o período de maior fertilidade. Para muitas atletas, adiar a maternidade acaba por ser uma consequência das exigências da alta competição.
Alexia Putellas foi uma das jogadoras que chamou a atenção para este problema e defendeu a criação de condições que permitam às futebolistas pensarem no futuro sem terem de escolher entre a profissão e a possibilidade de serem mães.
O movimento não é exclusivo de Espanha. O Chelsea estabeleceu recentemente uma parceria semelhante com uma clínica de Londres, enquanto a associação de ténis feminino criou regras específicas para facilitar a ausência das atletas durante processos de preservação da fertilidade.
Apesar do avanço, existem ainda questões por resolver. FIFA e UEFA não dispõem de protocolos específicos para estes tratamentos e alguns medicamentos utilizados na estimulação ovárica estão abrangidos pelas regras antidopagem, podendo ser necessárias autorizações terapêuticas.
Do ponto de vista médico, o processo pode durar cerca de duas semanas e ser planeado para períodos de menor intensidade competitiva, tornando a operação mais compatível com o calendário das jogadoras.
Espanha dá agora um gigante pontapé de saída num tema de extrema importância da modalidade!





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