As águas frias do Mediterrâneo tragaram a promessa de uma carreira que mal começava a desenhar-se nos relvados marroquinos.

Faten Ben Amar El Azizi, a jovem jogadora apontada como um dos valores em ascensão do futebol feminino marroquino e jogadora do Maghreb Atlético Tetuán, encontrou o fim da linha nas imediações de Ceuta, tragada pela maré humana que, recentemente, empurrou dezenas de milhares de pessoas em desespero rumo ao enclave espanhol.
Não era o espírito de aventura que a movia naquelas horas madrugadoras de braçadas contra a corrente, mas a busca crua por um futuro que a sua terra parecia recusar-ser a dar-lhe.
A tragédia, integrada numa vaga migratória sem precedentes que já contabiliza dezenas de vidas perdidas e dezenas de milhares de arriscadas travessias, deixou o desporto do país em choque.
O seu clube de sempre não escondeu a revolta e a dor, sublinhando que o rumo escolhido pela atleta transformou o seu sonho de uma vida melhor num pesadelo irreversível.
À voz do emblema tetuani somou-se a da União Marroquina de Futebolistas Profissionais, multiplicando homenagens a uma rapariga cujo nome passou agora a simbolizar o pesado tributo que a juventude paga à margem da Europa.






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