Há equipas que jogam futebol e outras que desenham geometria no relvado. Nova Iorque já espera pela armada espanhola. Numa reedição perfeita do que aconteceu no último Europeu, a Espanha voltou a erguer uma barreira intransponível diante da França, mergulhada numa crise de identidade que ninguém previa, garantindo o direito de lutar pela sua segunda estrela planetária.

Esperava-se um choque de titãs, mas assistiu-se a uma lição de envolvimento coletivo.
A Espanha de Luis de la Fuente entrou em campo com a lição estudada e uma rotação soberba. A circulação rápida e as desmarcações constantes estontearam o meio-campo gaulês. Se há pecado a apontar a esta “La Roja”, foi apenas o facilitismo na hora de matar o jogo mais cedo, desperdiçando transições que podiam ter construído uma goleada histórica. Valeu a solidariedade defensiva de Baena e a imponência de Rodri para segurar as rédeas.
Do outro lado, a noite francesa foi um autêntico descalabro tático. Uma equipa que vinha a encantar o mundo apresentou-se burocrática, com uma circulação de bola em câmara lenta e uma passividade gritante. Didier Deschamps montou uma teia defensiva demasiado recuada, tentando lançar a velocidade de Mbappé e Dembélé através do contra-ataque. Porém, os “aviões” gauleses raramente tiveram espaço para descolar. Salvou-se o orgulho ferido de Mbappé, que ainda arrancou dois ou três tiros perigosos para testar a atenção de Unai Simón, mas a apatia geral e os erros infantis ,como o penálti escusado de Digne sobre Lamine Yamal ou a agressividade excessiva de Rabiot deitaram tudo a perder.

O golo inaugural de Oyarzabal, de penálti, quebrou a resistência francesa. A partir daí, a Espanha geriu o jogo a seu bel-prazer, transformando o relvado num autêntico “meinho”. O ponto final na discussão chegou quando Pedro Porro, num aparecimento fulgurante na área após passe de Dani Olmo, fuzilou ao primeiro poste. Lamine Yamal ainda viu um golaço ser anulado por fora de jogo milimétrico.
Na reta final, a França tentou reagir no desespero através de remates de Mbappé e Doué, aproveitando um erro de Simón na saída de bola, mas o guarda-redes redimiu-se com duas boas defesas. A apatia e a soberba francesas caíram perante a sinfonia espanhola, que ruma com inteira justiça à final.






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