O futebol norte-americano acaba de ditar uma autêntica revolução na forma como olhamos para os cifrões do desporto-rei.

A recente caminhada da seleção masculina dos Estados Unidos até aos oitavos-de-final do Mundial de 2026, onde caiu aos pés da Bélgica por 1-4, garantiu um encaixe de 16 milhões de dólares (cerca de 14 milhões de euros) pagos pela FIFA. Contudo, o destino deste bolo financeiro quebra todas as barreiras tradicionais.
Graças a um histórico acordo coletivo blindado pela federação local (U.S. Soccer), que institui a paridade salarial absoluta, a verba não vai apenas para os bolsos de quem correu nos relvados. Do montante total, a federação retém uma quota de 20% (2,8 milhões de euros) para os seus cofres. O remanescente uma fasquia de 80% que ascende aos 11,2 milhões de euros será repartido em fatias perfeitamente iguais entre a comitiva masculina e a futura comitiva feminina que vai disputar o Mundial de 2027, no Brasil. Feitas as contas, cada atleta irá arrecadar cerca de 200 mil euros.

A engenharia financeira desta operação tem contornos curiosos. Como a seleção feminina ainda não carimbou o passaporte para o Brasil e a convocatória final está longe de ser conhecida, a metade que lhes cabe ficará congelada numa conta bancária a render juros. Até lá, esses ganhos acumulados serão distribuídos por ambos os grupos. Trata-se de uma estratégia inovadora para anular o fosso abissal que a FIFA ainda mantém entre os prémios das competições masculinas e femininas.
Com este passo audaz, os Estados Unidos voltam a provar que a valorização do futebol feminino vai muito além dos discursos de circunstância. Ao transformarem a igualdade de género numa prática financeira real e tangível, os norte-americanos cimentam o seu estatuto como o país mais evoluído e estruturado na modalidade





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