O futebol feminino em França acaba de cruzar uma meta que, até há pouco tempo, parecia uma miragem distante. Foi selada a primeira Convenção Coletiva para as profissionais da modalidade, um marco que redefine as regras do jogo para quem pisa os relvados da Arkema Première Ligue e da Seconde Ligue.

A Union Nationale des Footballeurs Professionnels, rosto desta mudança, não esconde o entusiasmo por um passo que deixa de ser retórica para se tornar, finalmente, vinculativo.
Esta nova cartilha não é apenas papel é o alicerce de uma dignidade há muito reclamada.
Deixamos de falar apenas de talento para discutir estatutos, salvaguardando a saúde das atletas e desenhando uma rede de segurança sólida, onde a maternidade e a proteção social deixam de ser pontos de interrogação para passarem a ser direitos blindados. Há uma mudança de paradigma na governação, com um modelo paritário que limpa os vícios do passado e valoriza, de forma justa, a imagem de quem dá a cara pelo espetáculo.
Mais do que regulação, estamos perante uma afirmação de maturidade. França coloca o futebol feminino no lugar que merece, garantindo que o crescimento da modalidade não seja feito à custa do sacrifício das suas protagonistas, mas sim com o suporte laboral que o profissionalismo exige.
Estatuto Laboral: A criação de um quadro de proteção jurídica que formaliza o vínculo das jogadoras como profissionais, garantindo estabilidade contratual e condições de trabalho dignas.
Saúde e Bem-Estar: O estabelecimento de protocolos obrigatórios de acompanhamento médico e proteção da saúde, assegurando que as atletas tenham suporte especializado durante e após a sua carreira desportiva.
Maternidade: A introdução de garantias sociais específicas para a maternidade, um passo essencial para que a vida pessoal não seja um obstáculo ao percurso profissional das jogadoras.
Contratos e Salários: O acordo estabelece, pela primeira vez, uma estrutura salarial mínima e a possibilidade de contratos profissionais de até 5 anos (para atletas a partir dos 18 anos), com valores progressivos definidos.
Governação Paritária: A implementação de um modelo de tomada de decisão que integra as jogadoras (através do sindicato) na gestão das questões que afetam diretamente o seu trabalho, equilibrando o poder entre clubes e atletas.
Direitos de Imagem: A regulação e valorização do direito de imagem coletivo, garantindo que as atletas sejam justamente compensadas pelo uso da sua identidade no ecossistema comercial do futebol.
Novo horizonte histórico em França: Assinado o primeiro contrato coletivo do futebol feminino que blinda direitos das atletas





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