O relvado do Dragão já viu de tudo, mas raramente assistiu a uma despedida que fosse, simultaneamente, um batismo. Cláudia Lima decidiu que 21 anos de luta entre as quatro linhas eram o ponto de exclamação perfeito. Aos 29 anos, a mulher que o destino escolheu para ser a “número um” da história do futebol feminino do FC Porto, literalmente a primeira a assinar contrato, pendura as botas, mas recusa-se a sair de cena.

Houve um tempo em que tentou o andebol, uma “fugidela” sem sucesso que só serviu para confirmar que o seu mundo se media a pontapé. Do Folgosa ao Leixões, passando pela afirmação no Boavista e Valadares Gaia, Cláudia construiu o cabedal de uma líder que não treme.
Quando o Porto finalmente abriu as portas às mulheres, foi nela que confiaram a braçadeira. E ela entregou tudo, não hesitou trocar a segurança e o conforto da elite onde estava para se mudar para o clube do coração e ajuda – lo a subir. Mesmo com o azar das lesões a morder-lhe os calcanhares no início, foi o cérebro que guiou as “dragoas” do lodo da Terceira Divisão até ao topo, garantindo a subida à Liga BPI e limpando troféus pelo caminho.
Dizem que quem joga com o coração acaba por sofrer mais, mas para a eterna camisola 27, o final daquela que diz ser a época mais feliz da sua vida não é um luto. É uma promoção. Com o curso de treinadora de Nível II já no bolso, Cláudia salta das chuteiras para o banco como membro da equipa técnica do futebol feminino
O FC Porto não perde uma jogadora, ganha uma estratega que conhece cada centímetro daquela mística.





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