Depois de um hiato forçado, provocado pelas intempéries que silenciaram os motores na Marinha Grande, o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) teve finalmente o seu batismo de fogo nas estradas sinuosas de Amarante. O Rali Terras D’Aboboreira não foi apenas a prova de abertura,foi o palco de uma afirmação histórica para o automobilismo insular.

Foto: CPR via Instagram (Ruben Rodrigues e Rui Raimundo)



Rúben Rodrigues, navegado por Rui Raimundo, escreveu o seu nome a letras de ouro ao conquistar a sua primeira vitória absoluta numa prova do CPR. Ao volante do Toyota GR Yaris Rally2, o tricampeão açoriano demonstrou uma maturidade impressionante, assumindo a liderança cedo e resistindo à pressão constante dos veteranos. A vitória, selada com uma vantagem de 5.6 segundos, é o culminar de um investimento estratégico iniciado no ano anterior e coloca Rodrigues como um candidato assumido ao título.

Atrás do vencedor, o espetáculo foi servido em doses generosas de adrenalina. Armindo Araújo e Pedro Almeida protagonizaram um duelo épico pelo segundo posto, chegando à derradeira Power Stage com uma igualdade absoluta no cronómetro. A experiência do heptacampeão nacional acabou por prevalecer por uma margem mínima de 2.1 segundos, mas a prestação de Almeida, também em Toyota, deixou claro que a nova geração está pronta para o ataque. Pelo caminho ficaram as esperanças da Hyundai, com Hugo Lopes a sofrer uma saída de estrada precoce e Gonçalo Henriques a ser traído por percalços mecânicos.

Nas duas rodas motrizes (2RM), o domínio foi também açoriano. Pedro Câmara, acompanhado por João Câmara, impôs um ritmo autoritário desde o primeiro quilómetro. Apesar da perseguição persistente de Hélder Miranda, o jovem talento geriu a mecânica do seu Peugeot 208 Rally4 com mestria, garantindo o triunfo e a liderança do CPR Junior.

Foto: CPR via Instagram ( Pedro Câmara e João Câmara)



No escalão Master, a glória sorriu ao piloto nortenho José Pedro Fontes navegado por Inês Ponte, que, apesar do quarto lugar na geral do CPR, ditaram leis na sua categoria.

Foto: José Pedro Fontes via Instagram



Este arranque tardio em Amarante serviu para provar que, apesar da natureza ter adiado a festa, o campeonato regressou com uma competitividade feroz, onde o talento jovem e a experiência consagrada prometem uma temporada de incerteza até ao último troço.

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