O futebol tem este condão de ser, por vezes, de uma injustiça matemática quase poética. No relvado, as Sub-19 portuguesas não vergaram perante o colosso espanhol, mas o nulo final acabou por soar a derrota no caminho para o Campeonato da Europa. No cômputo geral, um único golo de diferença no saldo total das contas serviu de passaporte para as espanholas, deixando as portuguesas em terra por um detalhe ínfimo.

Em campo, a estratégia de Ricardo Tavares foi um exercício de resiliência e organização. Durante a primeira metade, a Espanha assumiu as rédeas da posse, mas embateu sistematicamente numa muralha lusa que não concedeu espaços nem sustos de maior. Portugal, cauteloso, aguardava pelo momento certo para ferir em transições rápidas, mantendo o equilíbrio emocional que um dérbi ibérico desta importância exige.
A intensidade subiu após o intervalo. Com o cronómetro a avançar, a ansiedade lusa e a gestão espanhola ditaram o ritmo. O destino, porém, quis brincar com os nervos nacionais aos 70 minutos: Francisca Castro, num livre direto que levava selo de golo, viu a trave negar-lhe a glória. Foi o milímetro que separou o sonho do adeus.
Apesar de terminarem esta fase de apuramento invictas após vitórias convincentes sobre a Irlanda do Norte (1-0) e a Hungria (3-0) as portuguesas caíram de pé. Ricardo Tavares sublinhou precisamente essa maturidade, lembrando que a equipa sai desta campanha sem conhecer o sabor da derrota, mas consciente de que, na elite, a sorte e a eficácia são os juízes finais.
Portugal não vai ao Europeu, mas provou que já olha nos olhos das potências sem pestanejar.





Deixe um comentário