Haverá poucas demonstrações de resiliência tão puras como aquela a que se assistiu esta noite no Benito Villamarín. O SC Braga, que parecia condenado ao precipício logo na primeira meia hora, assinou uma reviravolta digna de antologia, batendo o Bétis por 2-4 e garantindo o estatuto de único resistente português no palco europeu.

O cenário inicial foi, para dizer o mínimo, dantesco. A empurrar os minhotos contra as cordas, a formação sevilhana entrou em campo com um cinismo implacável. Antony abriu o ativo aos 13 minutos e, pouco depois, Abde Ezzalzouli dilatava a vantagem, deixando a eliminatória a parecer uma formalidade para os espanhóis. O terceiro golo de Abde, anulado por fora de jogo, foi o aviso final para uma equipa de Carlos Vicens que parecia ainda nos balneários.
Contudo, a mística dos “Gverreiros” não é um mero adereço de marketing. Pau Víctor, antes do intervalo, deu o primeiro sinal de revolta ao reduzir para 1-2. Foi o oxigénio necessário para uma segunda parte avassaladora. Em apenas quatro minutos após o reatamento, o Braga transfigurou-se: Vítor Carvalho restabeleceu a igualdade e, logo a seguir, Ricardo Horta, com a frieza que o caracteriza, converteu uma grande penalidade que virou o destino do jogo.
O Bétis, atónito perante tamanha metamorfose, viu as esperanças desmoronarem-se definitivamente quando Gorby, aos 74 minutos, selou o quarto golo arsenalista. O silêncio que se instalou em Sevilha foi o hino à bravura de uma equipa que se recusa a cair.
O Braga segue para as meias-finais da Liga Europa com o suor da alma e o orgulho de uma nação inteira nos pés.





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