Das categorias de formação do SC Mirandela, Catarina Alexandra Fernandes Silva, mais conhecida como Kaká, tem construído um percurso sólido no futsal feminino. Com passagens pelo GD Chaves, Lazio Calcio a 5, Futsal Mirandela, e ainda pelo futebol de praia do AD Paredes, a ala representa atualmente o GCR Nun’Álvares. Destaque para os três gols marcados no primeiro Mundial de futsal feminino. Em entrevista a jogadora falou sobre o seu percurso, desafios e ambições.

Foto: O Gol

Como foi a sua trajetória no futsal? Você sempre teve ligação com o desporto ou praticou outras modalidades antes de se dedicar ao futsal?

Bem, eu sempre gostei muito de desporto, de forma geral. Quando era pequenina era sempre uma Maria rapaz. Sempre queria jogar à bola. De forma geral, gostava muito de desporto, de exercício físico. Comecei a jogar futebol com os rapazes, até os iniciados, só até os iniciados, porque depois eram escalão muito acima, foi a partir daí que  mudei para o futsal, e me apaixonei e desde então  é o desporto que pratico.

Sendo natural de Mirandela, você sentiu que precisou fazer um esforço maior em comparação com atletas de grandes centros para chegar ao topo? Você se vê como um exemplo de que “O interior também forma campeões”? 

Claro que sim. Sou eu, mas já existem muitos exemplos de outras modalidades, de outros desportos, que vem do interior. Se a dificuldade é maior, talvez. As coisas do meu lado acabaram por surgir naturalmente. Claro que chegou uma altura em que tive que se calhar sair da minha zona de conforto ou sair da minha cidade para novas aventuras, para novas oportunidades. Mas eu acho que quando queremos muito algo, acho que as coisas acabam por surgir naturalmente. Quando estás disposta as coisas surgem e as oportunidades surgem e vão acontecendo. Mas acho que nada é impossível e acho que isso já foi provado com várias modalidades, com vários atletas.

O lance D’elas é um projeto nascido e criado em Mirandela, qual é o significado para você ver a sua cidade se firmando também através de um jornal desportivo feito exclusivamente por mulheres?

Eu acho que é bom, acho que é uma iniciativa boa, acho que devia haver mais projetos destes, como é lógico, a dar visibilidade ao desporto, a dar visibilidade ao futsal, seja o que for. E se tivermos mulheres competentes e mulheres dispostas, eu acho que é bom em todos os aspectos, tanto para a região em si, como para as mulheres. 

Você participou do primeiro Campeonato Mundial de Futsal feminino. Qual foi a sensação de viver esse momento histórico e o que ele representou para a sua carreira?

Foi um sonho, uma experiência única, que vai ficar comigo para sempre. Por ser o primeiro Mundial, torna-se ainda mais especial fica marcado na história. Mais do que os resultados, levo comigo toda a vivência em grupo, o representar Portugal e tudo o que passámos juntas. Foi uma experiência muito rica a nível competitivo, emocional e mental. No final, senti-me orgulhosa e de coração cheio, com a sensação de que demos tudo por Portugal. Faltou apenas a “cereja no topo do bolo”, mas foi, sem dúvida, um momento inesquecível.

No espaço de um ano, o Nun’Álvares conquistou três títulos: Campeonato Nacional, Supertaça e Taça da Liga, dois deles diante do Benfica, encerrando a hegemonia do clube. Na sua opinião, a que se deve esse feito tão marcante? 

O Nun’Álvares é um clube que tem vindo a crescer bastante e que tem apostado muito nestes últimos três, quatro, cinco anos. Os troféus que temos conquistado são fruto do trabalho do grupo, de toda a equipa técnica e das jogadoras. É o resultado de muito trabalho e dedicação. De forma geral, é positivo para o campeonato não ser monótono. As pessoas estavam habituadas a ver apenas uma equipa a conquistar títulos, por isso é bom que estas coisas aconteçam. Tomara que haja mais clubes competitivos e mais equipas a lutar pelos lugares cimeiros, porque isso seria benéfico para o campeonato e para todos

Que mensagem você deixaria para meninas que sonham em seguir carreira no desporto, seja no futsal ou em qualquer outra modalidade?

O meu conselho é serem elas próprias, serem sempre elas próprias, trabalharem muito, serem humildes, pés na terra. Acho que isso é muito importante, e como é lógico, nunca desistirem. Vai haver momentos bons, vai haver momentos menos bons. O importante é continuar a trabalhar e nunca desistir e persistir. O importante é o trabalho, a consistência, e as coisas acabam por surgir naturalmente. Os resultados acabam por surgir, assim como as conquistas e todo o resto.

Qual é sua maior inspiração no desporto? E de que forma essa referência influenciou seu caminho como atleta?

É difícil de responder a essa pergunta, porque referências, pode haver muitas. Desde pequenina até agora, fui tendo algumas alguns. Quando era pequenina, lembro-me que a minha grande referência era o Cristiano Ronaldo. Eu ficava a treinar os truques dele, queria ser como ele, mesmo já no futsal. Depois, fui criando mais maturidade e estando mais dentro do futsal, as referências foram sendo outras. Graças a Deus, tive o privilégio de também treinar e, lá está, de ter colegas de equipa, atletas de alto rendimento e de referência total. A Pisko, sem dúvida, é uma das referências, é uma senhora do futsal. Toda a gente conhece a Pisko, e para mim, é uma referência pela postura dela, tanto fora como dentro do campo. Neste momento também olho muito como referência para o meu estilo de jogo o Erick Mendonça. Apesar de termos posições diferentes, mas gosto muito da maneira dele jogar e também o vejo como referência. Mas é isso, acho que não há uma única referência. O Ricardinho como é lógico, o rei do futsal também é uma referência. Acho que nunca houve uma só referência. Ao longo do tempo, foram várias referências na minha carreira. Acho que é um pouco assim.

Foto:@ksilva_7

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