O futebol europeu assistiu esta semana a um sismo institucional cujo epicentro se situou na capital alemã.

Foto: União de Berlim



O relvado do Stadion An der Alten Försterei acaba de se tornar o palco de uma revolução silenciosa, mas absoluta. Marie-Louise Eta, aos 34 anos, não saltou apenas para o banco do Union Berlin, saltou por cima de décadas de convenções ao tornar-se a primeira mulher da história a comandar uma equipa masculina na Bundesliga, quebrando simultaneamente o enguiço nas chamadas “Big Five” do futebol europeu.

A sua ascensão ao cargo de treinadora principal ocorre num momento de asfixia desportiva. Após a derrota humilhante por 3-1 contra o Heidenheim, que selou o destino de Steffen Baumgart, o clube da capital alemã decidiu que a solução para a sua crise de identidade estava em casa. Marie-Louise, que já tinha sentido o pulso à elite enquanto adjunta e coordenadora de comunicação em momentos críticos, assume agora a batuta de uma formação que esqueceu como vencer, somando apenas dois triunfos em 14 embates.

Com o espetro da despromoção a pairar sobre Berlim, a equipa mantém-se apenas sete pontos acima da linha de água, Marie herda um balneário pressionado e uma massa adepta cética.

No entanto, o seu currículo não admite dúvidas: foi campeã europeia em 2010 e vinha a moldar o futuro dos juniores do clube.Mais do que uma solução interna de recurso, esta nomeação é o teste de fogo final para uma técnica que já estava destinada a liderar o projeto feminino do clube no verão.

Agora, o desafio é outro: manter o Union na elite e provar que a competência tática ignora o género, mesmo quando o jogo é jogado sob os holofotes mais intensos do mundo.

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