Houve um tempo em que Petr Vlachovsky era o rosto do sucesso no futebol feminino checo. Erguia troféus, recebia o prémio de melhor treinador e posava como o mentor ideal para as jovens promessas do 1. FC Slovacko.

Mas, por trás da tática e do apito, escondia-se um predador. Durante quatro anos, a sua “ferramenta de trabalho” mais fiel não foi o cronómetro, mas uma câmara escondida numa mochila, estrategicamente pousada para violar a intimidade de quem nele confiava.

O balneário, que devia ser o santuário da união da equipa, transformou-se num estúdio clandestino de “voyeurismo”. Quinze mulheres, incluindo uma menor de 17 anos, foram filmadas nuas, sob o duche, sem saberem que os seus corpos eram troféus digitais de um pervertido que ainda guardava, para lá do crime de filmagem, material de pornografia infantil.

A justiça, essa, parece ter ficado no banco de suplentes. Um ano de pena suspensa? Cinco anos de afastamento? Para as jogadoras como Kristyna Janku, que sentiram o estômago dar voltas e o mundo desabar ao verem as gravações, a sentença é uma bofetada. Mil euros de indemnização não pagam o trauma de quem teve de procurar psicólogos para conseguir voltar a entrar num chuveiro público.

Vlachovsky era um “profissional” tanto a treinar como a invadir vidas. Agora, a FIFPRO e as atletas não pedem justiça lenta; pedem a erradicação. No futebol, quem mancha o jogo desta forma não merece um cartão amarelo ou uma suspensão temporária. Merece o banimento eterno. Porque a dignidade de uma mulher não pode valer tão pouco nos tribunais de Praga.

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