Há histórias no futebol que não se escrevem apenas com golos. Escrevem-se com tempo, lealdade e identidade. A de Cristiana Girelli é uma delas e acaba de ganhar um novo parágrafo inesperado.

Foto : Bay FC



Depois de oito temporadas a marcar uma era no futebol feminino italiano, a avançada italiana prepara-se para sair do cenário que ajudou a construir. Não é uma despedida definitiva, mas é um passo ousado: os Estados Unidos chamam, e Girelli respondeu presente. O próximo destino é a Califórnia, onde irá competir até ao verão de 2026, levando consigo experiência, liderança e uma carreira carregada de história.

Antes da viagem, fica uma garantia clara: o futuro continua ligado a Turim. O acordo que a une ao clube foi prolongado até 2027, um sinal inequívoco de respeito mútuo e de uma ligação que vai muito além de contratos.

As últimas semanas pareceram escritas por um guionista perfeccionista. Girelli tornou-se a jogadora com mais jogos de sempre pelo clube e, no mesmo encontro, ultrapassou a fasquia dos 150 golos. Números redondos, feitos raros, legado confirmado.

Mas reduzir o impacto de Girelli às estatísticas seria injusto. Tudo começou em 2018, quando chegou quase em silêncio e pegou numa camisola pesada a número 10 que parecia estar à espera de alguém à altura. Desde aí, transformou-a num símbolo: de entrega, de competitividade, de responsabilidade.

Treino após treino, jogo após jogo, construiu uma figura que uniu balneário, adeptos e história. Vieram os títulos, vieram as conquistas nacionais, mas ficou sobretudo a imagem de uma jogadora que nunca se escondeu quando era preciso decidir.

Agora, o cenário muda. Novos relvados, outra cultura, outro ritmo. A mesma ambição. Girelli parte para desafiar-se, para sair da zona de conforto, para provar  talvez a si própria que ainda há capítulos por escrever.

Porque algumas jogadoras não pertencem apenas a um clube ou a um campeonato. Pertencem ao jogo. E o jogo, desta vez, levou-a mais longe.

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