Chegou ao futebol português ainda jovem, com 18 anos, e foi no Minho que começou a escrever a sua história no futebol nacional.

Foto: FPF



Em 2016, vestiu pela primeira vez a camisola do SC Braga, dando os primeiros passos num percurso que se construiu com tempo, paciência e resiliência. Dois anos depois, em 2018, mudou-se para Lisboa para integrar o projeto do SL Benfica, clube que representa de forma ininterrupta há oito épocas e onde ganhou espaço, ritmo competitivo e estatuto.

Dez anos após a sua chegada ao futebol português, o reconhecimento chegou em forma de convocatória. A primeira chamada à Seleção Nacional Feminina A marcou um momento simbólico na carreira da médio luso-espanhola Pauleta, que viveu com emoção o impacto inicial na Cidade do Futebol. Um espaço que, durante anos, existiu apenas como objetivo distante passou agora a ser realidade.

“Muita felicidade. Fiquei feliz por estar aqui e feliz por ter esta oportunidade, por conseguir vestir essa camisola. Entrei com a Lú [Lúcia Alves] e com a Kika; cheguei com algum nervosismo, mas elas ajudaram-me a passar da melhor forma e fiquei muito feliz. Esta é uma semana que espero há muito tempo. Sempre quis estar aqui, desde que cheguei a Portugal. Trabalhei muito, houve algumas complicações pelo caminho, mas a vida é assim e faz parte do desporto”

O caminho até aqui não foi linear. Pelo meio, houve lesões graves que a afastaram dos relvados e um processo de naturalização que exigiu tempo e perseverança. Ainda assim, Pauleta nunca perdeu o foco. Recuperada fisicamente e com a situação administrativa resolvida, chega à Seleção numa fase de maturidade competitiva, depois de épocas consistentes no clube e de um crescimento evidente dentro de campo.

“Realmente, acho que as datas da naturalização não interessam. Desde que cheguei a Portugal trabalhei muito para crescer como jogadora, para evoluir e ser cada vez melhor. Mesmo com contratempos, continuei a trabalhar, voltei a jogar e a ser feliz dentro de campo. Tenho jogado mais, ganhei ritmo, ganhei importância na equipa [SL Benfica] e, felizmente, chegou esta chamada. O que interessa é mais o rendimento e o trabalho, não as datas.”

No seio do grupo, a adaptação foi natural. “Tenho colegas que vêm do SL Benfica, outras que já jogaram comigo, muitas com quem batalhei dentro de campo e que defrontei. O balneário é muito unido, bem disposto, acolhe muito bem quem chega de novo e isso é importante dentro de campo.”

Com a qualificação para o Mundial a arrancar frente à Finlândia, a ambição é clara. “Queremos começar da melhor forma. Sabemos que a Finlândia é uma equipa difícil, mas vamos trabalhar nos treinos, analisar o adversário e a nossa equipa, para representar Portugal da melhor forma e conquistar a vitória.”

Quanto ao seu papel na equipa, Pauleta assume disponibilidade total. “Eu venho ajudar da melhor forma, seja na dimensão física, seja na leitura do jogo ou no que for necessário. É um grupo extremamente competitivo, que tem demonstrado isso ao longo dos anos. Estou cá para ajudar o grupo a continuar a crescer.”

E sobre a possível estreia de Quinas ao peito, a resposta surge com naturalidade: “Nos dias anteriores ao estágio, senti algum nervosismo, mas mais pelo convívio com o grupo. Dentro de campo, nunca pensei em nervosismo. Lá dentro faço o que melhor sei, que é jogar futebol. O campo não me preocupa. Vou trabalhar no máximo para fazer o melhor possível. O primeiro passo já foi dado, agora é só para a frente.”

Deixe um comentário

Tendência