Estocolmo fechou-se como um livro difícil de aceitar. O Sporting Clube de Portugal saiu da Suécia com um triunfo moral, um golo para a história e uma eliminação que custa explicar sem recorrer à palavra “crueldade”.

Foto: Sporting CP



Na UEFA Women’s Europa Cup, as Leoas precisavam de ganhar por um golo para manter o sonho vivo. Conseguiram-no. Venceram o Hammarby IF por 0-1, empataram a eliminatória e empurraram a decisão para o território mais imprevisível do futebol: os penáltis. Aí, o desfecho foi sueco (5-4), apesar de uma noite que teve tudo menos medo por parte das portuguesas.

O cenário ajudava ao dramatismo. A Stockholm Arena, coberta, quente e cheia, foi palco de um início tenso, marcado por um golpe duro para o Sporting: a saída precoce da capitã Andreia Bravo, lesionada. A partir daí, a primeira parte foi de resistência. As suecas carregaram, criaram perigo, acertaram nos ferros e esbarraram, vezes sem conta, numa Anna Wellmann em modo muralha.

Na segunda parte, o Sporting mostrou outra personalidade. Mais agressivo na pressão e mais criterioso com bola, começou a chegar com regularidade ao último terço. O momento decisivo surgiu aos 70 minutos: cruzamento de Beatriz Fonseca e finalização de Telma Encarnação, de bicicleta, para um golo que empatava a eliminatória e mudava o rumo emocional do jogo.

O tempo regulamentar terminou sem novo golo e o prolongamento revelou o desgaste acumulado de ambas as equipas. As ocasiões foram escassas e o empate persistiu, empurrando a decisão para os pontapés de penálti.

Nos penáltis, não houve espaço para justiça poética Brittany Raphino, Daniela Arques e Jeneva Gray converteram para o Sporting, com resposta imediata do Hammarby.

Mackenzie Cherry viu o seu remate ser defendido por Melina Loeck, momento que acabou por ser determinante. Érica Cancelinha ainda marcou, mas as suecas não desperdiçaram qualquer tentativa e fecharam a série em 5-4

As Leoas caem na Europa sem perder no jogo decisivo, com um dos golos da época e a amarga certeza de que, por vezes, fazer quase tudo bem não chega.

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