O futebol feminino austríaco acordou em sobressalto com um caso que expôs uma ferida profunda no desporto. No clube Altach, que compete na principal divisão nacional, foram descobertas câmaras ocultas instaladas no balneário e nas zonas de duche da equipa feminina, um espaço que deveria ser sinónimo de segurança e intimidade.

Foto: SCR Altach



A investigação criminal avançou rapidamente. O Ministério Público de Feldkirch confirmou que cerca de 30 mulheres surgem nas gravações apreendidas e que existe um suspeito formalmente acusado, que deverá comparecer em tribunal na próxima semana. O processo inclui crimes relacionados com a utilização abusiva de dispositivos de gravação e a posse de material ilegal baseado em imagens. De acordo com informações da imprensa local, os ficheiros surgiram no âmbito de investigações paralelas conduzidas na Alemanha e na Suíça, o que elevou de forma significativa a gravidade do caso.

Para as jogadoras, o impacto foi devastador. Algumas souberam do sucedido através das notícias antes de qualquer comunicação interna do clube. O choque, a sensação de traição e a dificuldade em retomar a normalidade passaram a fazer parte do dia a dia. Entre treinos e jogos, muitas tentam lidar com um episódio que deixou marcas psicológicas profundas e que dificilmente será esquecido a curto prazo.

O caso ultrapassou rapidamente o universo do clube e tornou-se um tema nacional. A ministra do Desporto condenou publicamente os factos, exigindo uma investigação rigorosa e mudanças estruturais que garantam a proteção das atletas. “Nenhuma desportista pode sentir-se vulnerável no local onde trabalha”, foi a mensagem deixada.

Em resposta, o Altach afirmou ter acionado de imediato apoio psicológico especializado, em articulação com organizações independentes de apoio às vítimas, disponibilizando contactos internos e externos para acompanhamento das jogadoras e prometendo total colaboração com as autoridades.

Mais do que um escândalo isolado, o caso Altach reacendeu o debate sobre a necessidade de regras mais duras, auditorias externas e políticas obrigatórias de salvaguarda em todos os clubes. Porque no desporto, tal como fora dele, a dignidade e a segurança não podem ser opcionais.

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