Há regressos que sabem a recomeço. Lara Pintassilgo voltou a assinar pelo Besiktas, o mesmo clube onde já tinha deixado a sua marca, e aproxima-se, finalmente, do momento mais desejado: voltar a jogar futebol.

Quase um ano passou desde o dia em que o corpo lhe pregou uma das partidas mais duras da carreira. Uma lesão grave no ligamento cruzado anterior e no menisco obrigou a cirurgia, silêncio competitivo e longos meses de reabilitação. Enquanto os jogos seguiam sem ela, Lara ficou a lutar longe dos holofotes, num processo feito de paciência, dor e esperança.
O regresso ao emblema de Istambul simboliza bem mais do que uma simples assinatura. Será o reencontro com o palco onde se sentiu viva como jogadora e a porta aberta para voltar ao ritmo intenso do futebol profissional, depois de um período marcado pela ausência e pela superação.
Filha de Faro, foi no Algarve que começou a moldar o sonho. Primeiro no Montenegro, depois no Farense, sempre com a bola colada aos pés e os olhos postos no futuro. Em 2017/18, decidiu arriscar e mudou-se para Lisboa, integrando a formação do Benfica, onde cresceu e amadureceu.
O caminho não foi linear. Passou pelo Damaiense por empréstimo, regressou à Luz para dividir tempo entre a equipa B e o plantel principal, até que Torres Vedras surgiu como novo capítulo, inicialmente de forma temporária, mais tarde a título definitivo.
A vontade de ir mais longe levou-a ainda mais além. No final de 23/24 aventurou-se na Arménia para representar o Pyunik, mas o destino tinha outros planos. Pouco depois, Istambul chamou por ela e o Besiktas tornou-se casa.
Com a camisola das quinas, viveu o Europeu de sub-17 em 2019 e, no palmarés, guarda troféus que contam histórias felizes: dois campeonatos, uma Taça de Portugal e uma Taça da Liga
Agora, entre o peso do passado recente e a leveza da esperança, Lara Pintassilgo está de novo à beira do relvado. E, desta vez, tudo indica que o regresso será também um novo começo.






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