O futebol feminino norte-americano viveu, este sábado, um daqueles instantes que ficam gravados para sempre. Não foi apenas uma homenagem. Foi um abraço coletivo. No Dignity Health Sports Park, o tempo abrandou para celebrar uma carreira que ajudou a redefinir o jogo.

Antes do primeiro compromisso da seleção dos Estados Unidos em 2026 uma vitória frente ao Paraguai, as bancadas ergueram-se em uníssono. O aplauso não foi apenas para uma jogadora, mas para um símbolo. Christen Press despedia-se oficialmente da camisola que vestiu 154 vezes, deixando para trás dois títulos mundiais, uma medalha olímpica e 64 golos que a colocam entre as dez melhores marcadoras da história da equipa nacional.
Mas reduzir Christen Press a números seria injusto. A sua verdadeira grandeza nunca coube nas estatísticas. Em campo, foi talento e inteligência. Fora dele, foi voz, coragem e mudança. Press abriu caminhos onde antes existiam muros, questionou padrões e inspirou milhares de jovens a sonhar com um futebol mais justo, visível e respeitado.
O seu último golo pela seleção aconteceu nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. Pouco depois, já como jogadora do Angel City FC, uma lesão grave no ligamento cruzado anterior do joelho direito alterou o rumo da sua história. Seguiram-se quatro cirurgias, quase 25 meses de luta silenciosa e uma despedida anunciada em outubro do ano passado. Não foi o final que idealizou, mas foi o que enfrentou com a mesma dignidade que sempre a definiu.
Aos 37 anos, Christen Press continua longe de estar afastada do impacto. Cofundadora da marca de moda sem género Re-Inc e do premiado podcast Re-Cap Show, projetos criados ao lado da sua esposa e antiga colega de seleção Tobin Heath, mantém-se ativa na construção de um desporto mais inclusivo e consciente.
Christen Press saiu dos relvados, mas não saiu do futebol. Porque algumas jogadoras jogam para vencer. Outras jogam para mudar tudo. E essas… ficam para sempre.






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