Ontem, domingo, o Brasil apresentou ao mundo o Mundial de Futebol Feminino de 2027. Um momento histórico, simbólico, carregado de expectativa. Pelo menos, era isso que se esperava.

Mas o que se viu no palco contou outra história.

Foto: Reprodução internet/ Fifa



Num evento criado para celebrar o futebol feminino, o protagonismo foi, quase exclusivamente, masculino. Antigos jogadores, figuras históricas do futebol dos homens, discursos sobre glórias do passado que nada tinham a ver com aquela noite. Mulheres? Praticamente nenhuma. A sensação era desconcertante: parecia mais o lançamento de um Mundial masculino do que a apresentação da maior competição do futebol feminino no planeta.

E isso dói. Porque o Brasil não tem falta de referências femininas. Tem Marta, tem Formiga, tem Cristiane. Tem gerações de jogadoras que resistiram ao silêncio, ao preconceito, à proibição e ao abandono. Mulheres que construíram esta história com esforço, talento e coragem ,muitas delas estavam ali, na plateia, a assistir. Presentes, mas invisíveis. Convidadas, mas afastadas do centro, embora duas tenham estado presentes na foto não muda o facto de não lhes ter sido dado o devido valor.

A pergunta impõe-se: como é possível falar de futebol feminino sem as suas protagonistas? Se o evento era delas, o mínimo exigível à FIFA e aos organizadores ,nseria um palco ocupado por jogadoras, ex-jogadoras, mulheres que fizeram e fazem este desporto acontecer. Não como figurantes, mas como vozes principais.

Não se trata de uma fotografia infeliz, nem de um detalhe menor. Trata-se de uma escolha. E escolhas revelam prioridades.

Faltaram elas na noite que lhes pertencia.
Faltaram vozes femininas onde sobraram discursos masculinos.
Faltou coerência entre o discurso de igualdade e a prática do apagamento.

Não é falta de talento. Nunca foi.
É falta de espaço, de reconhecimento e de oportunidade.

Enquanto o futebol feminino continuar a ser usado como cenário para exaltar conquistas masculinas, nada muda de verdade. O progresso não se faz com palcos ocupados pelos mesmos de sempre, mas com coragem para ceder o lugar a quem o merece.

Porque convém repetir, sem ambiguidades e sem rodeios:

O Mundial 2027 do Brasil delas.
E só fará sentido quando o mundo começar, finalmente, a agir como tal.

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