O histórico Boavista vive dias sombrios. Aquilo que durante décadas foi feito de glória, resistência e identidade está agora no centro de um processo judicial que pode ditar uma viragem radical no futuro do clube. Desde o final da época passada, que os levou da primeira liga às distritais, que o clube da invicta vive um dia pior que o outro

Foto: Boavista FC



Os credores avançaram com um pedido formal no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia para afastar por completo a atual direção liderada por Rui Garrido Pereira, eleito faz agora um ano, retirando-lhe todos os poderes de gestão e administração. O requerimento conta também com o apoio direto da administradora de insolvência, que aponta falhas graves na condução financeira do clube.

No centro da polémica estão números difíceis de ignorar. Enquanto a Direção mantinha encargos mensais elevados com salários e pessoal, cerca de 185 mil euros, a administradora de insolvência conseguiu assegurar pagamentos muito inferiores aos trabalhadores, que em dezembro não ultrapassaram os 50 mil euros. A discrepância levantou sérias dúvidas sobre a racionalidade e sustentabilidade das decisões tomadas.

Este pedido surge poucas semanas depois de, a 16 de dezembro, o Boavista ter alcançado um entendimento em tribunal que lhe permitia continuar em atividade. Na altura, a Direção garantia estar em negociações com entidades públicas e investidores privados, alimentando a esperança de um plano de recuperação capaz de devolver estabilidade financeira ao clube.

Hoje, esse cenário parece cada vez mais distante. Entre promessas adiadas, contas desequilibradas e a crescente desconfiança dos credores, o Boavista enfrenta um dos momentos mais delicados da sua história recente. O futuro está agora nas mãos da justiça e cada decisão pode aproximar o clube da recuperação… ou empurrá-lo para um silêncio que ninguém deseja ouvir.

O xadrez está montado. O próximo lance poderá ser decisivo.

Deixe um comentário

Tendência