O Mundial de Ralis abriu um novo capítulo entre o gelo, a neve e o glamour de Monte Carlo. O WRC 2026 arrancou com um misto de incerteza e expectativa, num cenário de transição profunda, mas acabou por entregar aquilo que o desporto precisava desesperadamente: um novo herói, uma nova narrativa e uma vitória que ficará na memória.

Com a saída de cena de nomes dominantes como Kalle Rovanperä e Ott Tänak, o campeonato entrou numa fase delicada. Muitos falavam em crise, outros em fim de ciclo. Mas Monte Carlo respondeu da melhor forma possível: com emoção pura, renovação e uma estrela a brilhar mais alto do que todas as outras : Oliver Solberg.
O sueco, agora a tempo inteiro na categoria rainha, não perdeu tempo a justificar a aposta da Toyota. Desde a noite de quinta-feira, assumiu o controlo do rali e nunca mais largou a liderança, mesmo quando o destino tentou baralhar-lhe as contas no domingo, com dois erros que quase lhe custaram tudo. Mas Solberg resistiu, respirou fundo e confirmou uma vitória de sonho.
Aos 24 anos, tornou-se o vencedor mais jovem de sempre do Rali de Monte Carlo na era moderna do WRC e apenas o segundo mais novo de toda a história da prova. Um feito monumental, ainda mais simbólico por ser uma conquista que escapou ao seu pai, Petter Solberg, campeão do mundo em 2003.
O pódio foi totalmente dominado pela Toyota, com Elfyn Evans a garantir o segundo lugar e Sébastien Ogier a completar o top-3 na sua “casa”. Ogier, que iniciou mais uma temporada parcial com ambições claras ao décimo título mundial, voltou a mostrar consistência e frieza, somando mais um pódio numa prova onde é rei absoluto.

A Hyundai viveu um rali duro e cheio de contratempos, mas conseguiu colocar Adrien Fourmaux e Thierry Neuville entre os cinco primeiros. Para o belga, o domingo foi particularmente penoso, com problemas de pneus e um furo logo nos metros iniciais de uma das especiais decisivas.
Já a Ford saiu de Monte Carlo de mãos vazias e com um pesado revés histórico. Problemas mecânicos e saídas de estrada impediram a equipa de somar qualquer ponto, quebrando uma impressionante sequência de presenças pontuadas que durava há 24 anos.
No WRC2, o triunfo ficou em casa com Léo Rossel protagonista de uma estreia muito aguardada com a Lancia. O regresso da marca italiana aos ralis, mais de 30 anos depois, foi um dos grandes temas do fim de semana, apesar do acidente precoce que travou uma história que prometia ainda mais.
Quando o pó assentou ,ou melhor, quando o gelo derreteu Monte Carlo deixou uma mensagem clara: o WRC está vivo. Mais do que isso, está a reinventar-se. Oliver Solberg venceu, a Toyota celebrou uma dobradinha perfeita e o campeonato arrancou com algo que não se fabrica… esperança.







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